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March 11
Novo Som
08-03-2008
Anarquia pouca é bobagem
Ninguém em sã consciência que já tenha visto ou ouvido os roqueiros cariocas do Super Hi-Fi pode imaginar que uma entrevista com eles começaria com o assunto: crianças. “Fiquei no estúdio até de madrugada e quando cheguei em casa meu filho estava elétrico, não queria dormir de jeito nenhum, foi até às 3 da manhã. E ainda estou de bom humor. Isso tem cura?”, brinca o vocalista e baixista Don Gralha. O filho tem nome de roqueiro, Johnny. Ele não revela se inspirado por Cash, o homem de preto, ou Thunders, do New York Dolls. Além de Gralha, seus companheiros Caetano (bateria) e Perrone (guitarra) também já são pais. Mas, como não estamos aqui para manchar a imagem de canalha deles, vamos à destruição sonora que eles provocam com os amplificadores ligados.
Embora o trio já se conheça há quase 15 anos, a banda é relativamente nova. O primeiro disco, auto-intitulado, saiu pela Monstro no ano passado. “Foi a gravadora sem juízo que resolver bater palma para louco dançar, estamos ai”, comenta Don. A estréia do Super Hi-Fi era para sair com o nome "Coisas Que Assustam Até Satanás”, mas foi limado. “O pessoal achou que não era legal, assustaria e pareceria algo satânico, o que nem é”, conta. Se eles ficaram bravos? “Esse é nosso primeiro disco e o disco 81 da Monstro. Acho que eles entendem mais disso do que eu”, relata Don. Por falar em experiência, a do Super Hi-Fi está toda neste CD de estréia. A realidade dos roqueiros, de bom e de ruim também, está nas letras de músicas como “ Meu Funeral”, “ O Filho é Teu”, “ Tomou Geral” e “Ressaca”. Don, revela que não se sente velho para começar uma banda. “Eu sou garoto ainda, tenho 28. O Caetano vai fazer 27 e o Perrone tem 32 há uns 10 anos já”. Realmente, Don estava de muito bom humor na manhã da entrevista... A tal maturidade é até algo que conta a favor do grupo. “Hoje as bandas têm que estar à frente de todas as ações. Articulamos nossos shows, CDs, gravações, divulgação, viagens etc. Isso não é coisa para garotos fazerem”, comenta. Ele acredita que talvez por isso formações com integrantes de 18, 19 anos tenham mais dificuldade em fazer a banda circular. “Não é mais como no passado, que para tudo havia um manager. Talvez a maioria das bandas ‘independentes’ atuais seja de uma galera da nossa geração”, observa.
De bar em bar
Já dizia Jimmy London “bom é quando faz mal”. E o próprio Jimmy, vocalista do Matanza, produziu o primeiro disco do trio carioca Super Hi-Fi. O trampo ficou, digamos, do jeito que o diabo gosta. “O Matanza ensaiava no estúdio do Perrone, hoje o estúdio Hi-Fi. Foi a uns shows nossos e entendemos que ele podia produzir um disco pra gente. Fizemos um bom trabalho, um disco de verdade”, comemora Don. As músicas foram feitas ao longo de 2006. Entraram no estúdio no mês de dezembro com tudo pronto. “Todas são biográficas e atuais”, diz Don sobre as 13 músicas que entraram no CD e não faltam temas como bebedeira, mulher, rock, drogas muito sarcasmo.
Esse primeiro disco tem rendido bons frutos. “Nosso lote acabou aqui, aliás, estou encomendando mais na Monstro agora”, conta Don. “Mas, na real, disco físico em si é um produto em decadência e desuso hoje em dia”, continua. “O disco, vende para quem se torna fã de fato, quem vai ao show e quer levar aquela experiência para casa”. Para Don, o CD é muito importante para construir uma história, mas há tempos não é mais um produto comercial interessante e viável.
Nem por isso eles deixam suas músicas disponíveis para serem baixadas de graça na internet. “A gente deixa para ouvir online, mas não para baixar de graça. O download gratuito é uma questão ‘embaçada’ ainda para nós”, explica. Eles entendem que não devem dar a única coisa que têm para vender. “Não conhecemos nenhum advogado que defenda criminosos confessos por amor ao direito”, argumenta. Don acredita que haverá uma nova maneira de se vender música em um futuro próximo. Mas enquanto isso, “ficar batendo palma pra louco dançar a gente não vai. Temos cara de otário?”, dispara.
Em 2007 a banda já rodou bastante com o show. Passaram pelas regiões Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste e querem repetir pelo menos sessenta dessas apresentações neste ano. Em Uberlândia, tocaram no Jambolada. “Estou tentando fazer algo ai em maio junto com Belo Horizonte e Uberaba”, adianta. O Super Hi-Fi também começou a pré-produção de um disco para 2009. “Já temos umas cinco músicas na pilha e vamos lançar um clipe também, mas neste, eu só acredito quando estiver pronto”, comenta.
Em breve eles estarão também em uma trilha sonora. Gravaram uma música sob encomenda para o filme “La Fenix”, segundo Don, o Jackass brasileiro. O filho de Don acordou e é ele quem vai cuidar da comida do pequeno de pouco mais de um ano. Mas essa não é uma entrevista para se terminar de forma terna. O recado final do Super Hi-Fi não é nada paternal. “Pretendemos perturbar muita gente ainda, fazer merda, pegar a mulher dos outros, beber em bares diferentes e se possível sair sem pagar”, finaliza.
GIRO INDIE
Você esteve no show do Dylan em São Paulo? Viu o Iron Maiden em alguma das cidades que tocaram? Conte para nós como foi. Vale mandar fotos e vídeos. Saiba como aqui.
Falta pouco... o Interpol chega nesta semana ao Brasil para três shows que prometem. Anote ai as datas: 11 São Paulo, 13 Rio de Janeiro e 15 Belo Horizonte. No Rio de Janeiro o Moptop vai ser a banda de abertura. Em São Paulo será o Cachorro Grande e em BH, Pato Fu. Saiba mais.
| Foto:Muriel Gomes
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8 Bit Instrumental | Hoje no Goma rola a Video Games Party. O nome já diz tudo. A banda 8 Bit Instrumental apresentará show com repertório novo e promete prêmios para a galera que comparecer. O ingresso custa R$ 7.
March 03
01-03-2008
"Unplugged in New York” sem cortes
| Reprodução
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Nirvana pela primeira vez em uma versão acústica, surpreendeu tanto os críticos quanto os fãs |
Entre as lentes das seis câmeras que registraram as imagens do DVD “Nirvana — Unplugged in New York” (Universal Music, R$ 47), nenhuma conseguiu um segundo da atenção de Kurt Cobain, na noite do dia 18 de novembro de 1993, no Sony Studio, em Nova York. Uma delas recebeu um milésimo de segundo do olhar dele pouco depois dos quatro minutos de gravação. O DVD da versão sem cortes é um prato cheio para aqueles que viveram a última revolução do rock. Kurt Cobain (voz e guitarra), Krist Novoselic (baixo) e Dave Grohl (bateria) foram acompanhados pela violoncelista Lori Goldston, com participação especial de Cris e Curt Kirkwood (Meat Puppets).
O “Unplugged in NY” é o que você vai ver. Kurt brinca na cadeira giratória, range os dentes, sorri amarelo, dá duas gargalhadas meia-bocas. O suor na testa surge após 30 minutos e ele não se preocupa em esconder. Vez ou outra enxuga com a manga da blusa. Coloca os cabelos atrás da orelha, nada de pausa para tirar o brilho do rosto. Kurt entra errado em um verso de “Lake of Fire”. Você poderá vê-lo corar não por causa dos agudos. Poderá conferir, porque Krist Novoselic foi um dos melhores amigos de Kurt. Preste atenção e ouvirá um repique de bateria que pode ter sido o embrião de “My Hero”, do Foo Fighters, que Dave Grohl montou depois do fim do Nirvana.
Não deixe de ver o ensaio, com seis músicas. Mas não é obrigatório ver o extra, com o depoimento de pessoas que participaram daquele show único. “Kurt estava tão nervoso...”, “tão tenso...”, “Eu sabia que fazia parte de algo especial...”. O que se vê em grande parte da platéia é muita gente com a mão no queixo, alguns bocejos, um esfregar de olhos para não dormir diante de músicas desconhecidas.
Tudo bem. Até Cobain soltou um discreto bocejo após a execução de “Plateau”. Ele chegou a brincar dizendo que as músicas dos irmãos Kirkwood eram do segundo disco do Nirvana. Na realidade, do aclamado “Nevermind”, que para os leigos resume-se a “Smells Like Teen Spirit”, incluíram “Come As You Are”, “Polly”, “On A Plain”, na qual Dave Grohl marca o tempo para Kurt batendo com a baqueta na própria perna, e “Something In The Way”, fora da versão editada, como “Oh, me”. Quinze anos se passaram desde a gravação desta obra que serviu como um epitáfio para o vocalista e guitarrista. O loiro tiraria a própria vida cinco meses mais tarde, em sua casa, em Seattle. Lançado em CD e vinil, em 1994, e exibido no mesmo ano pela MTV, em uma versão de 45 minutos e 37 segundos (também presente no DVD), trechos da versão não editada chegaram a figurar nos computadores dos fanáticos pela banda em 2004, mas nada se compara ao que te espera em uma hora, seis minutos e 24 segundos. Hoje, a gravação de um “Acústico” é feita em dois ou mais dias com versões em cima de versões até que uma gama infinita de palpiteiros libere o material. Isso não aconteceu com o Nirvana. E se há um pecado cometido na época em que o show foi exibido pela MTV, ele se chama edição. Diálogos hilários no set
O nervosismo atribuído a Kurt não transparece naquela noite. Ele preferiu exibir mais seus dotes de intérprete, deixando de lado a porção compositor. Suas pálpebras pareciam carregar mais peso do que suportariam. Isso lhe dava um ar mais velho que seus 26 anos. Ele fez papel de regente em um clima de ensaio no quintal de casa. “Não podemos tocar essas duas uma atrás da outra, podemos? Vamos fazer depois de ‘On a Plain’”, comenta o baixista Krist Novoselic com Kurt sobre “Dumb” e “Polly”.
“Oops... mas ‘On a Plain’ cai para um Ré.” Vamos tocar assim mesmo, quem se importa? Vai ser editado, isso é um programa de televisão”, responde Kurt, que explica ao público que não queriam tocar “Dumb” e “Polly” uma seguida da outra por serem “exatamente a mesma música”. Quem disse que ele não tinha senso de humor? “Scott [Ravine], quão desafinado está meu vocal?”, pergunta Kurt durante o ensaio. “Não mais do que o normal.” “O que você quer dizer com isso?” “Está bom.” “Você jura?”
E se você está acostumado com a imagem de um Kurt depressivo e triste, espere até ver ele imitar um dos personagens que o aterrorizavam na série “David and Goliath”. “Aquele era um programa diabólico, sempre me apavorou quando era criança”. Quando os Kirkwood sobem ao palco são quase 10 minutos de conversa jogada fora. Rolou até uma brincadeirinha com “Sweet Home Alabama” (Lynyrd Skynyrd), enquanto Kurt lia umas anedotas. “O que vocês estão afinando? Uma harpa?”, provocou.
| Reprodução
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No repertório, músicas que estavam fora das FMs | O melhor amigo e guardião
Reza a lenda que o melhor amigo que Kurt teve foi Krist Novoselic. A edição sem cortes do “Unplugged in NY” mostra o papel de guardião que Krist teve. Quando tentava “colar” o que viria a seguir da pastinha do vocalista, ele tentava se adiantar para não desapontá-lo. Nos ensaios foram feitas duas versões de “Pennyroyal Tea”. Uma com o guitarrista Pat Smear no violão e backing vocal e outra com ele apenas no backing e Dave no outro violão. Na hora da gravação, Kurt optou por tocá-la sozinho. “Tem um cigarro, Pat?”, perguntou Dave. E os dois saíram do palco para fumar enquanto Kurt fazia seu número em uma canção na qual mais se revelava. Do seu lado direito, Krist permanecia com o baixo acústico no colo e parecia saber o que aquele momento significava para Kurt. Krist, que virava mesmo um gigante ao lado de Pat ou quando pegou o acordeão para tocar “Jesus Doesn’t Want Me For a Sunbean” parecia mesmo estar sempre lá para o que Kurt precisasse, não importava se era para ajustar o microfone de Pat nos ensaios ou para conferir o que ainda restava de chá para Cobain.
No fim, Kurt e Krist saem, sem pressa. O guitarrista, canhoto, pára e pega uma caneta para autografar quatro pedaços de papel. Nesse momento você vê a primeira camiseta do Nirvana, que aparece em todo o especial. Silêncio total. Kurt tropeça no pé de alguém antes de atender a um rapaz que usava uma camiseta com a palavra “Loser” (perdedor). Antes de desaparecer no último take, ele volta para devolver a tampa da caneta. Assista!
28-02-2008
“Automatic for the People”
Já faz tempo que minha amiga Marinês Fernandes já não trabalha mais comigo. Porém um de seus “presentes” ainda faz parte da minha vida e, com certeza, da vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. Foi com ela que aprendi a navegar na internet, na era da discada ainda. Mas não é este o presente ao qual me refiro, e sim, o disco “Automatic for the People”, lançado pelo R.E.M. em 1992.
Essa banda americana começou a fazer barulho em 1980 e não parou mais. Até hoje lança discos que entram na lista dos melhores em qualquer lugar do planeta e tudo isso graças a um compositor fora de série chamado Michael Stipe. A base da banda conta com ele, Peter Buck (guitarra) e Mike Mills (baixo). O baterista que ficou mais tempo com o grupo, 17 anos, foi Bill Berry.
No Rock in Rio de 2001, eles foram os responsáveis por um dos shows mais memoráveis. Antes, durante a entrevista coletiva, ficou evidente o despreparo da maioria dos jornalistas para lidar com uma banda séria. E, acredite, eles não são do tipo que gostam de agradar quando sua inteligência é desafiada. Foram 10 minutos de coletiva. O show, cerca de duas horas de clássicos que sobrevivem a toda e qualquer nova onda que o show bizz assimile de tempos em tempos. Na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, o R.E.M. foi o monstro pelo qual todos queriam ser devorados.
De volta ao disco, em “Automatic for the People”, eles conseguiram reunir as angústias da geração dos anos 90 de uma forma como nenhum outro trabalho pode ser comparado. Este álbum vai além de expor tais sentimentos e dúvidas, mas o faz de um modo que transforma o disco em uma obra de arte. A abertura com “Drive” é acertada e dá o clima dos próximos minutos. A “tick tock, tick tock” perdido entre os versos da primeira música está presente nas outras 12 canções, sem propriamente ser citada.
Se as drogas e a conseqüência de seu uso são o tema de “Drive”, em “Everybody Hurts”, outro clássico deste disco, o estar sozinho ganha dimensões menos aterrorizantes e tenta, mesmo por meio de uma melodia das mais tristes do rock, deixar uma mensagem positiva “you´re not alone”. Por ironia do destino, acaba sendo a trilha daquelas noites solitárias intermináveis. O R.E.M. também conta outras histórias. Fatos que fazem parte do inconsciente americano são retratados de forma quase poética em “Man on the Moon”. Uma verdadeira aula. E se você não está se divertindo, talvez esteja na hora de encontrar seu oceano e o “Automatic for the People” pode ser um bom companheiro para esta viagem.
adre@correiodeuberlandia.com.br February 25
Adreana Oliveira
Editora
23-02-2008
Quatro paulistas e um som pra lá de endiabrados
| Foto:Divulgação
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| Banda paulista aposta na irreverência | A banda paulista de rock alternativo SomoS surgiu no Verão de 2000 entre amigos que adoravam ficar no estúdio tocando canções dos Beatles e gravando, experimentando, gravando... Em pleno 2008 eles lançam seu segundo disco, na verdade, um EP com quatro músicas, produzido por eles e por Douglas Godoy, baterista do Vanguart (MT). Os irmãos Thiago e Rafa Calil, André Soler e Isca Vazin estão mais interessados em fazer a diferença hoje e por isso o trabalho de produção não para. Antes do EP “Da Vaquinha”, foi lançado “O Disco do Saco Bege” e a terceira cria já está a caminho. “A banda amadureceu na estrada e com o lançamento do EP, distribuído por nós, estamos galgando nosso espaço no meio independente”, comenta Thiago. Vamos explicar o que vem a ser “O Disco do Saco Bege” e o EP “Da Vaquinha”. “Cá entre nós, aquelas caixinhas de plástico que quebram por qualquer coisa são uma porcaria”, diz Thiago, referindo-se à caixinha que embala a maioria dos CDs no mundo. Para sair do comum, eles lançaram os seus em embalagens de pano que, além de abrigar o CD, podem servir como uma bolsinha fashion, uma carteira, ou portar qualquer outro material que caiba em suas dimensões. “A princípio vamos continuar com este molde, mas, claro que podemos ter uma outra idéia similar e surpreender”, diz Rafa. Para eles, o que importa é recuperar o conceito de álbum. “O CD está numa fase difícil, não sabemos se vai sobreviver em meio à revolução digital”, explica Rafa, que completa, “a SomoS aposta em um formato no qual o disco em si tem um aspecto diferente. é como se resgatássemos aqueles álbuns conceituais dos anos 60 e reciclássemos para nossa época”, expõe. Músicas como “Francesas”, “E se o Brejo fosse a vaca” e “Trinca-Copo”, do EP, e “Comum” e “Correntes”, do primeiro disco, mostram a capacidade que a SomoS tem de mesclar influências. A “viagem” é garantida no som e nas letras. “A repercussão tem sido positiva e estamos loucos para viajar mais”, comenta Thiago.
Escárnio & Osso
A SomoS é parte ativa do agitador cultural Escarnio e Osso, um braço do circuito fora do eixo, no eixo. Neste emergiram bandas como o Seminal, Visitantes, Deize Confuza e Ultrafônica, esta última apresentou-se recentemente no Grito Rock Uberlândia. Grupos como este trabalham com a perspectiva de que a cena cena deve mudar a curto prazo. “o lançamento de singles virtuais é um formato que deve cescer, mas o álbum de 10 músicas sempre vai ter seu espaço. ele sugere um outro jeito de embarcar no universo de um artista”, comenta Thiago.
Para a SomoS vale mostrar seu roque torto e divertido. “Tentamos fugir às regras sem abrir mão da autenticidade. Afinal, SomoS a SomoS, é um fardo que carregamos. Tem que soar como nós ou não funciona”, filosofa Rafa. Na busca desta identidade vale tudo, desde entradas teatrais à inserção da gaita de fole nas músicas. Eles tocaram em fevereiro no Grito Rock de Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO). “Viagem insana, 8.333 quilômetros rodados. Agora falta Uberlândia, ainda não tivemos o prazer de conhecer a cena e a cidade de vocês”, finaliza.
GIRO INDIE
| Foto:Adreana Oliveira
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| Simplesmente insanos | Para uma banda independente que mandou o CD para o espaço e volta a apostar no vinil e tem uma postura anti-tudo, o MQN tem se saído mais pop do que encomenda. No show mais recente deles em Uberlândia, dia 16 passado na Noite Monstro do Goma, foi hit atrás de hit. E que este continue sendo seu pecado. Músicas como “Red Pills”, “Let it Rock”, “Burn, baby, burn”, “ Hard Times” e “Cobra” fazem com que ninguém fique parado. E se ficar, o risco de tomar um banho de cerveja proporcionado pelo vocalista Fabrício Nobre é grande... Gustavo Vasquez (baixo), Rodrigo (bateria) e CJ (guitarra) estavam para lá de inspirados...
O Motherfish abriu a noite e mostrou um show melhor do que o realizado no Goiânia Noise do ano passado. Eles lançaram o primeiro trabalho pela Monstro e estão evoluindo a cada apresentação. Mesmo com o trabalho fresquinho, teve espaço para “ Música Nova” no repertório.
O festival Abril Pro-Rock já confirmou algumas das atrações internacionais do festival, que acontece nos dias 11, 12 e 27 de abril: New York Dolls, Helloween e Gamma Ray. Dia 5 de março sai a programação completa da festa.
Perto do Grammy o Brit Awards foi muito mais “cool”. Os artistas ousaram mais nas roupas, nas músicas e nas apresentações. E foi feito jus à música. Para começar, os mestre de cerimônias da noite foi Mr. Ozzy Osbourne, e família. O Arctic Monkeys, que tocou no Brasil no ano passado, ganhou os prêmios de Melhor Grupo e Melhor Álbum por "Favourite Worst Nightmare" (2007). Sir Paul McCartney foi homenageado pela carreira e Amy Whinehouse foi a mais aplaudida. O Foo Fighters também levou dois prêmios, como no Grammy, desta vez, Melhor Grupo Internacional e Melhor Álbum Internacional, por "Echoes, Silence, Patience & Grace" (2007).
Emmerson Nogueira traz sua releitura sonora à cidade
O músico ganhou o País com sua maneira de tocar clássicos do rock
Editora
Atualizada: 21/02/2008 - 22h11min
Uma máxima do futebol muitas vezes pode se aplicar à música: em time que está ganhando não se mexe. Para Emmerson Nogueira, que há sete anos despontou no cenário nacional com um disco de releituras de clássicos do pop rock nacional e internacional, a fórmula do acústico ainda tem muito o que ser explorado. Ele apresenta hoje em Uberlândia o show da turnê do DVD "Emmerson Nogueira: ao vivo", lançado no ano passado. “Faz tempo que não nos apresentamos aí e estamos bastante ansiosos”, conta ele, direto de São Paulo.
A banda que o acompanha é formada por Marcos Falcão, Felipe Grillo, Fabinho Ferreira, Zé Mario e as backing vocals Carol Marques e Vanessa Farias. “Foram poucas as mudanças que tivemos ao longo dos anos e estou satisfeito com essa base”, comenta o músico, que nasceu em Belo Horizonte e cresceu em São João Nepomucemo e hoje mora em São Paulo.
É preciso, além de talento, ter muita dedicação nas turnês e este trabalho todo começa já na escolha do repertório dos discos, função que Emmerson exerce com todo o prazer. “Gosto de pesquisar e escolher o repertório. Um ponto básico é que tem que ser uma música com que eu me sinta bem ao cantar”, explica. Isso significa que nem sempre significa tocar o que é mais fácil. “O grande desafio é manter a característica dessas músicas e não tirar a essência delas”, comenta.
O fato é que, para muitos, pegar clássicos como "Keyleigh" (Marilion), “Wish You Were Here” (Pink Floyd) ou qualquer música dos Beattles é tarefa fácil. Esses se enganam. “Nem sempre conseguimos o que queremos na gravação, porque não é nada fácil dar essa nova roupagem. É diferente do cover, onde o que se faz é apenas reproduzir tal e qual a música foi feita”, revela. Emmerson lançou seu primeiro disco pela multinacional Sony — hoje Sony BMG — e o projeto foi colocado nas lojas da forma como ele idealizou em seu home studio.
“Começou como uma brincadeira séria e quando apresentei à gravadora eles gostaram, deram uma sofisticada nele e o resultado é o que temos até hoje”, lembra. Com a Sony na jogada ficou mais fácil conseguir a liberação das músicas. “Não tive muitos problemas, a que foi mais difícil de conseguir foi ‘I Still Haven`t Found What I`m Looking For’, do U2”, recorda.
Cantor atingiu o sucesso e recebeu muitas críticas
O músico Emmerson Nogueira muitas vezes é alvo de ácidas críticas por ter o sucesso que tem mediante composições alheias. “Eu sempre gostei de fazer gravação de música de grandes autores e quando comecei esse projeto não tinha muita pretensão sobre aonde chegar”, ressalta. Mas acontece que “Versão Acústica” (2002) foi um sucesso de vendas e o horizonte se abriu para ele.
Emmerson tem composições próprias feitas há anos e não condizem com o que ele quer passar para seu público. E se há cada vez mais público para suas versões — vide agenda de shows lotada —, por que não cantá-las? “Tem tanta coisa ruim no mercado hoje. Eu prefiro não fazer nada a colocar algo fútil na mídia com a minha assinatura só para entrar numa trilha sonora de novela ou coisa parecida”, comenta. Para Emmerson, poucos compositores brasileiros mais novos igualam-se à qualidade de Chico Buarque, Milton Nascimento ou Caetano Veloso. Entre os seus preferidos estão Lenine e Moska. “O mercado também mudou muito. Nos anos 70, os discos tinham mais história”, recorda.
Emmerson não está sozinho nessa estrada. No Estados Unidos o Me First and the Gimme Gimmes vem desde 1997 fazendo releituras punk rock de vários clássicos. Já são seis discos lançados e o vocalista Spike Slawson comentou durante um show no ano passado: “Com tanto compositor bom por aí por que é que eu vou escrever?”.
Emmerson, que ainda não conhece o Me First, seguirá com seu projeto de levar ao Brasil suas caprichadas versões de grandes clássicos, prestigiando seus autores, não importa de onde sejam. “Enquanto eu estiver feliz com este trabalho continuarei nele da mesma forma que, caso as composições próprias cheguem a um nível em que mereçam ser lançadas, também o farei.”
SERVIÇO O show de Emmerson Nogueira acontece hoje, às 22h, no Center Convention. Ingressos: Setor 1: R$ 80; Setor 2: R$ 60; Setor 3: R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada).
Editora
Atualizada: 21/02/2008 - 10h19min
Tempo de investigar o som dos roqueiros do Interpol
FOTO: DIVULGAÇÃO
Os nova-iorquinos ainda pouco tocados no Brasil aportam aqui em março
No mês que vem a temporada de bons shows internacionais começará para valer. Entre as lendas Ozzy Osbourne e Bob Dylan encontra-se o modesto quarteto nova-iorquino Interpol, para quem a categoria indie rock é mais do que justificada. Eles podem não lotar estádios ou arenas no Brasil, mas são garantia de uma performance ímpar para os apreciadores de sons melancólicos e intensos. Paul Banks (vocal e guitarra), Daniel Kessler (guitarras), Carlos Dengler (baixo) e Sam Fogarino (bateria) chegam ao País com a turnê do terceiro disco, “Our Love To Admire” (Capitol/EMI 2007). Os shows acontecerão no Rio de Janeiro, São Paulo em Belo Horizonte entre os dias 11 e 15 de março.
Contemporâneo do hype de bandas “The” dos anos 2000 (Strokes, Hives, Vines, White Stripes), o Interpol chegou com um disco muito elogiado em 2002, após quatro anos com participações em coletâneas e lançamento de três EPs. “Turn on the Bright Lights” trouxe pérolas como “PDA” e “Obstacle 1”. Com um pouco menos de empolgação foi recebido o segundo disco, “Antics” (2004), que teve destaques como “Slow Hands” e “Narc”.
Desde que formaram a banda, ainda no campus da New York University os caras cantam sobre o que vivem. O estilo de vida da big apple seria temática constante de suas músicas. A opção por usar ternos em quase todas as apresentações e sessões de fotos deu ao grupo um ar “cool” e ao mesmo tempo ordinário, já que o traje é comum em qualquer estação de metrô de Nova Iorque. Porém, “Our Love to Admire” é digno de mérito por trazer arranjos que privilegiam a voz de Banks, cujas letras estão longe do compreensível, mesmo que a temática óbvia mantenha-se na angústia, no sexo e no uso e abuso de drogas.
O Interpol não parece querer se desvencilhar do pós-punk que é fonte direta em sua carreira. O timbre “joydivisiano” continua ali, mas com a imposição de um Paul Banks mais maduro. A abertura do disco, com a belíssima “Pioneer to the Falls”, leva o ouvinte a pensar logo de cara que esta canção não poderá ser superada até a décima primeira faixa. É aí que as surpresas aparecem. “The Scale” e “Rest My Chemistry” são páreo para “Pioneer...” Momentos mais agitados podem ser conferidos em “Mammoth” e “The Heinrich Maneuver”. Os três anos em que o Interpol esteve fora dos holofotes fizeram muito bem ao quarteto, que ao vivo geralmente apresenta-se também com um músico adicional nos teclados. “Our Love to Admire” é daquele tipo de disco que você ouve do início ao fim, sem pensar em pular nenhuma faixa.
O início
Em um aeroporto desativado próximo a Stuttgart, na Alemanha, em junho de 2007, o Interpol fez um dos primeiros shows da turnê que chega ao Brasil. No domingo, último dia do festival South Side, eles se apresentaram em horário nobre entre o Bright Eyes e o Snow Patrol. Apesar de estar próximo das 20h, ainda havia alguns raios de sol insistindo em abrir espaço entre as nuvens quando Daniel Kessler tocou os primeiros acordes de “Pioneer to the Falls”, carro-chefe do disco que seria lançado dali a duas semanas. Na platéia, alemães, suíços, mexicanos e claro, brasileiros, elevavam seus olhos e ouvidos para o quarteto que voltava à cena após uma longa temporada longe do show business.
A letra estava na ponta da língua da maioria do público, que foi superior a 20 mil pessoas. Os ternos, as gravatas, as camisas estavam ali, como é de praxe eles se apresentarem. E, para quem os via pela primeira vez, o encantamento era imediato. O vento frio e o céu cinza combinavam perfeitamente com o clima proporcionado pelos sucessos dos três discos do Interpol. Se o que nós vimos na Alemanha se repetir por aqui, será um espetáculo de poucas palavras e muita música. É difícil afirmar isso, porque a platéia e o clima brasileiros têm o dom de encantar bandas gringas de tal forma que eles podem não seguir à risca o roteiro e quem sabe, para nosso deleite, eles resolvem sair da linha. Afinal, eles já ameaçam em “The Scale”: “você pensa que agora nos conhece? Espere até que as estrelas apareçam e verá”. Para saber mais: www.interpolnyc.com. Confira os locais dos shows no site www.correiodeuberlandia.com.br
Serviço: Shows do Interpol no Brasil
São Paulo – 11 de março Local: Via Funchal Ingressos de R$ 100 a R$ 160 Inf.: www.viafunchal.com.br
Rio de Janeiro – 13 de março Local: Fundição Progresso
Ingressos de R$ 100 e R$ 50 (meia-entrada) Inf.: www.fundicao.org
Belo Horizonte – 15 de março Local: Chevrolet Hall Ingressos R$ 100 e R$ 50 (meia-entrada) Inf.: www.chevrolethallbh.com.br February 17
14-02-2008
A pauta para este Musicais surgiu durante uma conversa com o músico e produtor Neto Castanheira. Para quem não conhece, ele já foi responsável pela bateria no Tamisa, entre outros trabalhos, e atualmente é lead guitar d´Os Seminovos. Como muitos, até mesmo do meio musical, ele ainda está conhecendo esse chamado novo underground da música. Mas a pergunta que ele me fez durante um festival com várias bandas em Uberlândia ainda ecoa na minha cabeça: como essas bandas sobrevivem?
Há pelo menos oito anos o mercado independente vem crescendo significantemente, mas, infelizmente, a maioria dos músicos das bandas neste contexto inseridas ainda tem que se virar para bancar o que o Neto chamou de sonho. Para aqueles que apostam todas as fichas na internet, basta ver o exemplo d´Os Seminovos. Como o Neto mesmo comentou, são campeões de acessos, views no YouTube e tudo mais, mas, dinheiro que é bom, não entrou nada. Para aqueles que querem viver de sua música o tal sonho será impossível se não se vender mais música, o como isso deve ser feito vem sendo testado de várias formas. No Brasil uma que se destaca é o Download Remunerado, da Trama Virtual. O download sai grátis para quem baixa mas o artista é remunerado por algum dos anunciantes do site.
Por enquanto, muitas bandas continuam a existir graças à vida dupla de seus integrantes. Durante o dia são professores, advogados, engenheiros, balconistas, atendentes de telemarketing, publicitários... à noite viram guitarristas, baixistas, vocalistas, tecladistas ou bateristas da banda na qual acreditam. Muita gente pode dizer que é muito fácil ganhar a vida viajando de um lado para o outro, se hospedar em bons hotéis com restaurante à disposição, mas poucos entendem todo o trabalho anterior que é necessário para que um show aconteça. Quem opta pela vida na estrada abre mão de muita coisa.
Com tudo contra e mais um pouco, essas pessoas muitas vezes ficam largadas no mercado que insiste em se dizer mais justo que o mainstream, porém, creio que tal realidade só será mesmo concretizada a partir do momento em que ninguém tocar mais “por divulgação”. Da mesma forma que têm selinhos por ai de “Produto 100% Natural”, “Empresa Amiga da Criança”, “Advertência aos Pais”, deveria ser criado um com os dizeres “Músico: eu respeito” para serem utilizados por festivais e casas de shows que adotem a política mais do que correta de ter um cachê, mesmo que simbólico para os iniciantes, em seus eventos. A hora não poderia ser melhor, já que a credibilidade dos festivais depois da criação da Associação Brasileira dos Festivais Independentes – Abrafin - aumentou, assim como os patrocinadores.
Adreana Oliveira Jornalista adre@correiodeuberlandia.com.br
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