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    3월 11일

    SUPER HI-FI +

     
    Novo Som
     
    08-03-2008

    Anarquia pouca é bobagem

    Ninguém em sã consciência que já tenha visto ou ouvido os roqueiros cariocas do Super Hi-Fi pode imaginar que uma entrevista com eles começaria com o assunto: crianças. “Fiquei no estúdio até de madrugada e quando cheguei em casa meu filho estava elétrico, não queria dormir de jeito nenhum, foi até às 3 da manhã. E ainda estou de bom humor. Isso tem cura?”, brinca o vocalista e baixista Don Gralha. O filho tem nome de roqueiro, Johnny. Ele não revela se inspirado por Cash, o homem de preto, ou Thunders, do New York Dolls. Além de Gralha, seus companheiros Caetano (bateria) e Perrone (guitarra) também já são pais. Mas, como não estamos aqui para manchar a imagem de canalha deles, vamos à destruição sonora que eles provocam com os amplificadores ligados.

    Foto:Mariana Maltoni/Divulgação
    Trio carioca é rock na veia
    Embora o trio já se conheça há quase 15 anos, a banda é relativamente nova. O primeiro disco, auto-intitulado, saiu pela Monstro no ano passado. “Foi a gravadora sem juízo que resolver bater palma para louco dançar, estamos ai”, comenta Don. A estréia do Super Hi-Fi era para sair com o nome "Coisas Que Assustam Até Satanás”, mas foi limado.
    “O pessoal achou que não era legal, assustaria e pareceria algo satânico, o que nem é”, conta. Se eles ficaram bravos? “Esse é nosso primeiro disco e o disco 81 da Monstro. Acho que eles entendem mais disso do que eu”, relata Don.

    Por falar em experiência, a do Super Hi-Fi está toda neste CD de estréia. A realidade dos roqueiros, de bom e de ruim também, está nas letras de músicas como “Meu Funeral”, “O Filho é Teu”, “Tomou Geral” e “Ressaca”. Don, revela que não se sente velho para começar uma banda. “Eu sou garoto ainda, tenho 28. O Caetano vai fazer 27 e o  Perrone tem 32 há uns 10 anos já”. Realmente, Don estava de muito bom humor na manhã da entrevista...

    A tal maturidade é até algo que conta a favor do grupo. “Hoje as bandas têm que estar à frente de todas as ações. Articulamos nossos shows, CDs, gravações, divulgação, viagens etc. Isso não é coisa para garotos fazerem”, comenta. Ele acredita que talvez por isso formações com integrantes de 18, 19 anos tenham mais dificuldade em fazer a banda circular. “Não é mais como no passado, que para tudo havia um manager. Talvez a maioria das bandas ‘independentes’ atuais seja de uma galera da nossa geração”, observa.

    De bar em bar

    Foto:Mariana Maltoni/Divulgação

    Já dizia Jimmy London “bom é quando faz mal”. E o próprio Jimmy, vocalista do Matanza, produziu o primeiro disco do trio carioca Super Hi-Fi. O trampo ficou, digamos, do jeito que o diabo gosta. “O Matanza ensaiava no estúdio do Perrone, hoje o estúdio Hi-Fi. Foi a uns shows nossos e entendemos que ele podia produzir um disco pra gente. Fizemos um bom trabalho, um disco de verdade”, comemora Don. As músicas foram feitas ao longo de 2006. Entraram no estúdio no mês de dezembro com tudo pronto. “Todas são biográficas e atuais”, diz Don sobre as 13 músicas que entraram no CD e não faltam temas como bebedeira, mulher, rock, drogas muito sarcasmo.

    Esse primeiro disco tem rendido bons frutos. “Nosso lote acabou aqui, aliás, estou encomendando mais na Monstro agora”, conta Don. “Mas, na real, disco físico em si é um produto em decadência e desuso hoje em dia”, continua. “O disco, vende para quem se torna fã de fato, quem vai ao show e quer levar aquela experiência para casa”. Para Don, o CD é muito importante para construir uma história, mas há tempos não é mais um produto comercial interessante e viável.

    Nem por isso eles deixam suas músicas disponíveis para serem baixadas de graça na internet. “A gente deixa para ouvir online, mas não para baixar de graça. O download gratuito é uma questão ‘embaçada’ ainda para nós”, explica. Eles entendem que não devem dar a única coisa que têm para vender. “Não conhecemos nenhum advogado que defenda criminosos confessos por amor ao direito”, argumenta. Don acredita que haverá uma nova maneira de se vender música em um futuro próximo. Mas enquanto isso, “ficar batendo palma pra louco dançar a gente não vai. Temos cara de otário?”, dispara.

    Em 2007 a banda já rodou bastante com o show. Passaram pelas regiões Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste e querem repetir pelo menos sessenta dessas apresentações neste ano. Em Uberlândia, tocaram no Jambolada.  “Estou tentando fazer algo ai em maio junto com Belo Horizonte e Uberaba”, adianta. O Super Hi-Fi também começou a pré-produção de um disco para 2009. “Já temos umas cinco músicas na pilha e vamos lançar um clipe também, mas neste, eu só acredito quando estiver pronto”, comenta.

    Em breve eles estarão também em uma trilha sonora. Gravaram uma música sob encomenda para o filme “La Fenix”, segundo Don, o Jackass brasileiro. O filho de Don acordou e é ele quem vai cuidar da comida do pequeno de pouco mais de um ano. Mas essa não é uma entrevista para se terminar de forma terna. O recado final do Super Hi-Fi não é nada paternal. “Pretendemos perturbar muita gente ainda, fazer merda, pegar a mulher dos outros, beber em bares diferentes e se possível sair sem pagar”, finaliza.

    GIRO INDIE

    Você esteve no show do Dylan em São Paulo? Viu o Iron Maiden em alguma das cidades que tocaram? Conte para nós como foi. Vale mandar fotos e vídeos. Saiba como aqui.

    Falta pouco... o Interpol chega nesta semana ao Brasil para três shows que prometem. Anote ai as datas: 11 São Paulo, 13 Rio de Janeiro e 15 Belo Horizonte. No Rio de Janeiro o Moptop vai ser a banda de abertura. Em São Paulo será o Cachorro Grande e em BH, Pato Fu. Saiba mais.

    Foto:Muriel Gomes

    8 Bit Instrumental

    Hoje no Goma rola a Video Games Party. O nome já diz tudo. A banda 8 Bit Instrumental apresentará show com repertório novo e promete prêmios para a galera que comparecer. O ingresso custa R$ 7.

     
    3월 3일

    NIRVANA - Unplugged in New York

     
     
    01-03-2008


    "Unplugged in New York” sem cortes


    Reprodução

    Nirvana pela primeira vez em uma versão acústica, surpreendeu tanto os críticos quanto os fãs

    Entre as lentes das seis câmeras que registraram as imagens do DVD “Nirvana — Unplugged in New York” (Universal Music, R$ 47), nenhuma conseguiu um segundo da atenção de Kurt Cobain, na noite do dia 18 de novembro de 1993, no Sony Studio, em Nova York. Uma delas recebeu um milésimo de segundo do olhar dele pouco depois dos quatro minutos de gravação. O DVD da versão sem cortes é um prato cheio para aqueles que viveram a última revolução do rock. Kurt Cobain (voz e guitarra), Krist Novoselic (baixo) e Dave Grohl (bateria) foram acompanhados pela violoncelista Lori Goldston, com participação especial de Cris e Curt Kirkwood (Meat Puppets).

    O “Unplugged in NY” é o que você vai ver. Kurt brinca na cadeira giratória, range os dentes, sorri amarelo, dá duas gargalhadas meia-bocas. O suor na testa surge após 30 minutos e ele não se preocupa em esconder. Vez ou outra enxuga com a manga da blusa. Coloca os cabelos atrás da orelha, nada de pausa para tirar o brilho do rosto. Kurt entra errado em um verso de “Lake of Fire”. Você poderá vê-lo corar não por causa dos agudos. Poderá conferir, porque Krist Novoselic foi um dos melhores amigos de Kurt. Preste atenção e ouvirá um repique de bateria que pode ter sido o embrião de “My Hero”, do Foo Fighters, que Dave Grohl montou depois do fim do Nirvana.

    Não deixe de ver o ensaio, com seis músicas. Mas não é obrigatório ver o extra, com o depoimento de pessoas que participaram daquele show único. “Kurt estava tão nervoso...”, “tão tenso...”, “Eu sabia que fazia parte de algo especial...”. O que se vê em grande parte da platéia é muita gente com a mão no queixo, alguns bocejos, um esfregar de olhos para não dormir diante de músicas desconhecidas.

    Reprodução

    Nirvana


    Tudo bem. Até Cobain soltou um discreto bocejo após a execução de “Plateau”. Ele chegou a brincar dizendo que as músicas dos irmãos Kirkwood eram do segundo disco do Nirvana. Na realidade, do aclamado “Nevermind”, que para os leigos resume-se a “Smells Like Teen Spirit”, incluíram “Come As You Are”, “Polly”, “On A Plain”, na qual Dave Grohl marca o tempo para Kurt batendo com a baqueta na própria perna, e “Something In The Way”, fora da versão editada, como “Oh, me”.
    Quinze anos se passaram desde a gravação desta obra que serviu como um epitáfio para o vocalista e guitarrista. O loiro tiraria a própria vida cinco meses mais tarde, em sua casa, em Seattle.

    Lançado em CD e vinil, em 1994, e exibido no mesmo ano pela MTV, em uma versão de 45 minutos e 37 segundos (também presente no DVD), trechos da versão não editada chegaram a figurar nos computadores dos fanáticos pela banda em 2004, mas nada se compara ao que te espera em uma hora, seis minutos e 24 segundos.

    Hoje, a gravação de um “Acústico” é feita em dois ou mais dias com versões em cima de versões até que uma gama infinita de palpiteiros libere o material. Isso não aconteceu com o Nirvana. E se há um pecado cometido na época em que o show foi exibido pela MTV, ele se chama edição. 
     
    Diálogos hilários no set

    O nervosismo atribuído a Kurt não transparece naquela noite. Ele preferiu exibir mais seus dotes de intérprete, deixando de lado a porção compositor. Suas pálpebras pareciam carregar mais peso do que suportariam. Isso lhe dava um ar mais velho que seus 26 anos. Ele fez papel de regente em um clima de ensaio no quintal de casa. “Não podemos tocar essas duas uma atrás da outra, podemos? Vamos fazer depois de ‘On a Plain’”, comenta o baixista Krist Novoselic com Kurt sobre “Dumb” e “Polly”.

    Reprodução

    Kurt Cobain

    “Oops... mas ‘On a Plain’ cai para um Ré.” Vamos tocar assim mesmo, quem se importa? Vai ser editado, isso é um programa de televisão”, responde Kurt, que explica ao público que não queriam tocar “Dumb” e “Polly” uma seguida da outra por serem “exatamente a mesma música”. Quem disse que ele não tinha senso de humor? “Scott [Ravine], quão desafinado está meu vocal?”, pergunta Kurt durante o ensaio. “Não mais do que o normal.” “O que você quer dizer com isso?” “Está bom.” “Você jura?”

    E se você está acostumado com a imagem de um Kurt depressivo e triste, espere até ver ele imitar um dos personagens que o aterrorizavam na série “David and Goliath”. “Aquele era um programa diabólico, sempre me apavorou quando era criança”. Quando os Kirkwood sobem ao palco são quase 10 minutos de conversa jogada fora. Rolou até uma brincadeirinha com “Sweet Home Alabama” (Lynyrd Skynyrd), enquanto Kurt lia umas anedotas. “O que vocês estão afinando? Uma harpa?”, provocou.

    Reprodução

    No repertório, músicas que estavam fora das FMs



    O melhor amigo e guardião

    Reza a lenda que o melhor amigo que Kurt teve foi Krist Novoselic. A edição sem cortes do “Unplugged in NY” mostra o papel de guardião que Krist teve. Quando tentava “colar” o que viria a seguir da pastinha do vocalista, ele tentava se adiantar para não desapontá-lo. Nos ensaios foram feitas duas versões de “Pennyroyal Tea”. Uma com o guitarrista Pat Smear no violão e backing vocal e outra com ele apenas no backing e Dave no outro violão. Na hora da gravação, Kurt optou por tocá-la sozinho. “Tem um cigarro, Pat?”, perguntou Dave. E os dois saíram do palco para fumar enquanto Kurt fazia seu número em uma canção na qual mais se revelava. Do seu lado direito, Krist permanecia com o baixo acústico no colo e parecia saber o que aquele momento significava para Kurt. Krist, que virava mesmo um gigante ao lado de Pat ou quando pegou o acordeão para tocar “Jesus Doesn’t Want Me For a Sunbean” parecia mesmo estar sempre lá para o que Kurt precisasse, não importava se era para ajustar o microfone de Pat nos ensaios ou para conferir o que ainda restava de chá para Cobain.

    No fim, Kurt e Krist saem, sem pressa. O guitarrista, canhoto, pára e pega uma caneta para autografar quatro pedaços de papel. Nesse momento você vê a primeira camiseta do Nirvana, que aparece em todo o especial. Silêncio total. Kurt tropeça no pé de alguém antes de atender a um rapaz que usava uma camiseta com a palavra “Loser” (perdedor). Antes de desaparecer no último take, ele volta para devolver a tampa da caneta. Assista!

    R.E.M. - Automatic For The People

     
    28-02-2008


    “Automatic for the People”


    Já faz tempo que minha amiga Marinês Fernandes já não trabalha mais comigo. Porém um de seus “presentes” ainda faz parte da minha vida e, com certeza, da vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. Foi com ela que aprendi a navegar na internet, na era da discada ainda. Mas não é este o presente ao qual me refiro, e sim, o disco “Automatic for the People”, lançado pelo R.E.M. em 1992.

    Essa banda americana começou a fazer barulho em 1980 e não parou mais. Até hoje lança discos que entram na lista dos melhores em qualquer lugar do planeta e tudo isso graças a um compositor fora de série chamado Michael Stipe. A base da banda conta com ele, Peter Buck (guitarra) e Mike Mills (baixo). O baterista que ficou mais tempo com o grupo, 17 anos, foi Bill Berry.

    No Rock in Rio de 2001, eles foram os responsáveis por um dos shows mais memoráveis. Antes, durante a entrevista coletiva, ficou evidente o despreparo da maioria dos jornalistas para lidar com uma banda séria. E, acredite, eles não são do tipo que gostam de agradar quando sua inteligência é desafiada. Foram 10 minutos de coletiva. O show, cerca de duas horas de clássicos que sobrevivem a toda e qualquer nova onda que o show bizz assimile de tempos em tempos. Na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, o R.E.M. foi o monstro pelo qual todos queriam ser devorados.

    De volta ao disco, em “Automatic for the People”, eles conseguiram reunir as angústias da geração dos anos 90 de uma forma como nenhum outro trabalho pode ser comparado. Este álbum vai além de expor tais sentimentos e dúvidas, mas o faz de um modo que transforma o disco em uma obra de arte. A abertura com “Drive” é acertada e dá o clima dos próximos minutos. A “tick tock, tick tock” perdido entre os versos da primeira música está presente nas outras 12 canções, sem propriamente ser citada.

    Se as drogas e a conseqüência de seu uso são o tema de “Drive”, em “Everybody Hurts”, outro clássico deste disco, o estar sozinho ganha dimensões menos aterrorizantes e tenta, mesmo por meio de uma melodia das mais tristes do rock, deixar uma mensagem positiva “you´re not alone”. Por ironia do destino, acaba sendo a trilha daquelas noites solitárias intermináveis.
    O R.E.M. também conta outras histórias. Fatos que fazem parte do inconsciente americano são retratados de forma quase poética em “Man on the Moon”. Uma verdadeira aula. E se você não está se divertindo, talvez esteja na hora de encontrar seu oceano e o “Automatic for the People” pode ser um bom companheiro para esta viagem.

    adre@correiodeuberlandia.com.br

    2월 25일

    SomoS

     
     
    Adreana Oliveira
    Editora
     
    23-02-2008

    Quatro paulistas e um som pra lá de endiabrados


    Foto:Divulgação
    Banda paulista aposta na irreverência
    A banda paulista de rock alternativo SomoS surgiu no Verão de 2000 entre amigos que adoravam ficar no estúdio tocando canções dos Beatles e gravando, experimentando, gravando... Em pleno 2008 eles lançam seu segundo disco, na verdade, um EP com quatro músicas, produzido por eles e por Douglas Godoy, baterista do Vanguart (MT). Os irmãos Thiago e Rafa Calil, André Soler e Isca Vazin estão mais interessados em fazer a diferença hoje e por isso o trabalho de produção não para. Antes do EP “Da Vaquinha”, foi lançado “O Disco do Saco Bege” e a terceira cria já está a caminho. “A banda amadureceu na estrada e com o lançamento do EP, distribuído por nós, estamos galgando nosso espaço no meio independente”, comenta Thiago.

    Vamos explicar o que vem a ser “O Disco do Saco Bege” e o EP “Da Vaquinha”. “Cá entre nós, aquelas caixinhas de plástico que quebram por qualquer coisa são uma porcaria”, diz Thiago, referindo-se à caixinha que embala a maioria dos CDs no mundo. Para sair do comum, eles lançaram os seus em embalagens de pano que, além de abrigar o CD, podem servir como uma bolsinha fashion, uma carteira, ou portar qualquer outro material que caiba em suas dimensões. “A princípio vamos continuar com este molde, mas, claro que podemos ter uma outra idéia similar e surpreender”, diz Rafa.

    Para eles, o que importa é recuperar o conceito de álbum. “O CD está numa fase difícil, não sabemos se vai sobreviver em meio à revolução digital”, explica Rafa, que completa, “a SomoS aposta em um formato no qual o disco em si tem um aspecto diferente. é como se resgatássemos aqueles álbuns conceituais dos anos 60 e reciclássemos para nossa época”, expõe.

    Músicas como “Francesas”, “E se o Brejo fosse a vaca” e “Trinca-Copo”, do EP, e “Comum” e “Correntes”, do primeiro disco, mostram a capacidade que a SomoS tem de mesclar influências. A “viagem” é garantida no som e nas letras. “A repercussão tem sido positiva e estamos loucos para viajar mais”, comenta Thiago.

    Escárnio & Osso

    A SomoS é parte ativa do agitador cultural Escarnio e Osso, um braço do circuito fora do eixo, no eixo. Neste emergiram bandas como o Seminal, Visitantes, Deize Confuza e Ultrafônica, esta última apresentou-se recentemente no Grito Rock Uberlândia. Grupos como este trabalham com a perspectiva de que a cena cena deve mudar a curto prazo. “o lançamento de singles virtuais é um formato que deve cescer, mas o álbum de 10 músicas sempre vai ter seu espaço. ele sugere um outro jeito de embarcar no universo de um artista”, comenta Thiago.

    Para a SomoS vale mostrar seu roque torto e divertido. “Tentamos fugir às regras sem abrir mão da autenticidade. Afinal, SomoS a SomoS, é um fardo que carregamos. Tem que soar como nós ou não funciona”, filosofa Rafa. Na busca desta identidade vale tudo, desde entradas teatrais à inserção da gaita de fole nas músicas. Eles tocaram em fevereiro no Grito Rock de Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO). “Viagem insana, 8.333 quilômetros rodados. Agora falta Uberlândia, ainda não tivemos o prazer de conhecer a cena e a cidade de vocês”, finaliza.

    GIRO INDIE

    Foto:Adreana Oliveira
    Simplesmente insanos
    Para uma banda independente que mandou o CD para o espaço e volta a apostar no vinil e tem uma postura anti-tudo, o MQN tem se saído mais pop do que encomenda. No show mais recente deles em Uberlândia, dia 16 passado na Noite Monstro do Goma, foi hit atrás de hit. E que este continue sendo seu pecado. Músicas como “Red Pills”, “Let it Rock”, “Burn, baby, burn”, “Hard Times” e “Cobra” fazem com que ninguém fique parado. E se ficar, o risco de tomar um banho de cerveja proporcionado pelo vocalista Fabrício Nobre é grande... Gustavo Vasquez (baixo), Rodrigo (bateria) e CJ (guitarra) estavam para lá de inspirados...


     

    Foto:Adreana Oliveira
    Em ação em Uberlândia
    O Motherfish abriu a noite e mostrou um show melhor do que o realizado no Goiânia Noise do ano passado. Eles lançaram o primeiro trabalho pela Monstro e estão evoluindo a cada apresentação. Mesmo com o trabalho fresquinho, teve espaço para “Música Nova” no repertório.

     

     

     

    O festival Abril Pro-Rock já confirmou algumas das atrações internacionais do festival, que acontece nos dias 11, 12 e 27 de abril: New York Dolls, Helloween e Gamma Ray. Dia 5 de março sai a programação completa da festa.

    Perto do Grammy o Brit Awards foi muito mais “cool”. Os artistas ousaram mais nas roupas, nas músicas e nas apresentações. E foi feito jus à música. Para começar, os mestre de cerimônias da noite foi Mr. Ozzy Osbourne, e família. O Arctic Monkeys, que tocou no Brasil no ano passado, ganhou os prêmios de Melhor Grupo e Melhor Álbum por "Favourite Worst Nightmare" (2007). Sir Paul McCartney foi homenageado pela carreira e Amy Whinehouse foi a mais aplaudida. O Foo Fighters também levou dois prêmios, como no Grammy, desta vez, Melhor Grupo Internacional e Melhor Álbum Internacional, por "Echoes, Silence, Patience & Grace" (2007).

    Emmerson Nogueira

     
    Emmerson Nogueira traz sua releitura sonora à cidade
    O músico ganhou o País com sua maneira de tocar clássicos do rock
    Editora
    Atualizada: 21/02/2008 - 22h11min

    Uma máxima do futebol muitas vezes pode se aplicar à música: em time que está ganhando não se mexe. Para Emmerson Nogueira, que há sete anos despontou no cenário nacional com um disco de releituras de clássicos do pop rock nacional e internacional, a fórmula do acústico ainda tem muito o que ser explorado. Ele apresenta hoje em Uberlândia o show da turnê do DVD "Emmerson Nogueira: ao vivo", lançado no ano passado. “Faz tempo que não nos apresentamos aí e estamos bastante ansiosos”, conta ele, direto de São Paulo.

    A banda que o acompanha é formada por Marcos Falcão, Felipe Grillo, Fabinho Ferreira, Zé Mario e as backing vocals Carol Marques e Vanessa Farias. “Foram poucas as mudanças que tivemos ao longo dos anos e estou satisfeito com essa base”, comenta o músico, que nasceu em Belo Horizonte e cresceu em São João Nepomucemo e hoje mora em São Paulo.

    É preciso, além de talento, ter muita dedicação nas turnês e este trabalho todo começa já na escolha do repertório dos discos, função que Emmerson exerce com todo o prazer. “Gosto de pesquisar e escolher o repertório. Um ponto básico é que tem que ser uma música com que eu me sinta bem ao cantar”, explica. Isso significa que nem sempre significa tocar o que é mais fácil. “O grande desafio é manter a característica dessas músicas e não tirar a essência delas”, comenta.

    O fato é que, para muitos, pegar clássicos como "Keyleigh" (Marilion), “Wish You Were Here” (Pink Floyd) ou qualquer música dos Beattles é tarefa fácil. Esses se enganam. “Nem sempre conseguimos o que queremos na gravação, porque não é nada fácil dar essa nova roupagem. É diferente do cover, onde o que se faz é apenas reproduzir tal e qual a música foi feita”, revela.
    Emmerson lançou seu primeiro disco pela multinacional Sony — hoje Sony BMG — e o projeto foi colocado nas lojas da forma como ele idealizou em seu home studio.

    “Começou como uma brincadeira séria e quando apresentei à gravadora eles gostaram, deram uma sofisticada nele e o resultado é o que temos até hoje”, lembra. Com a Sony na jogada ficou mais fácil conseguir a liberação das músicas. “Não tive muitos problemas, a que foi mais difícil de conseguir foi ‘I Still Haven`t Found What I`m Looking For’, do U2”, recorda.

    Cantor atingiu o sucesso e recebeu muitas críticas

    O músico Emmerson Nogueira muitas vezes é alvo de ácidas críticas por ter o sucesso que tem mediante composições alheias. “Eu sempre gostei de fazer gravação de música de grandes autores e quando comecei esse projeto não tinha muita pretensão sobre aonde chegar”, ressalta. Mas acontece que “Versão Acústica” (2002) foi um sucesso de vendas e o horizonte se abriu para ele.

    Emmerson tem composições próprias feitas há anos e não condizem com o que ele quer passar para seu público. E se há cada vez mais público para suas versões — vide agenda de shows lotada —, por que não cantá-las? “Tem tanta coisa ruim no mercado hoje. Eu prefiro não fazer nada a colocar algo fútil na mídia com a minha assinatura só para entrar numa trilha sonora de novela ou coisa parecida”, comenta. Para Emmerson, poucos compositores brasileiros mais novos igualam-se à qualidade de Chico Buarque, Milton Nascimento ou Caetano Veloso. Entre os seus preferidos estão Lenine e Moska. “O mercado também mudou muito. Nos anos 70, os discos tinham mais história”, recorda. 

    Emmerson não está sozinho nessa estrada. No Estados Unidos o Me First and the Gimme Gimmes vem desde 1997 fazendo releituras punk rock de vários clássicos. Já são seis discos lançados e o vocalista Spike Slawson comentou durante um show no ano passado: “Com tanto compositor bom por aí por que é que eu vou escrever?”.

    Emmerson, que ainda não conhece o Me First, seguirá com seu projeto de levar ao Brasil suas caprichadas versões de grandes clássicos, prestigiando seus autores, não importa de onde sejam. “Enquanto eu estiver feliz com este trabalho continuarei nele da mesma forma que, caso as composições próprias cheguem a um nível em que mereçam ser lançadas, também o farei.”

    SERVIÇO
    O show de Emmerson Nogueira acontece hoje, às 22h, no Center Convention. Ingressos: Setor 1: R$ 80; Setor 2: R$ 60; Setor 3: R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada).

    INTERPOL NO BRASIL

     
    Editora
    Atualizada: 21/02/2008 - 10h19min
     
    Tempo de investigar o som dos roqueiros do Interpol
    INTERPOL
    FOTO: DIVULGAÇÃO
    Os nova-iorquinos ainda pouco tocados no Brasil aportam aqui em março

    No mês que vem a temporada de bons shows internacionais começará para valer. Entre as lendas Ozzy Osbourne e Bob Dylan encontra-se o modesto quarteto nova-iorquino Interpol, para quem a categoria indie rock é mais do que justificada. Eles podem não lotar estádios ou arenas no Brasil, mas são garantia de uma performance ímpar para os apreciadores de sons melancólicos e intensos. Paul Banks (vocal e guitarra), Daniel Kessler (guitarras), Carlos Dengler (baixo) e Sam Fogarino (bateria) chegam ao País com a turnê do terceiro disco, “Our Love To Admire” (Capitol/EMI 2007). Os shows acontecerão no Rio de Janeiro, São Paulo em Belo Horizonte entre os dias 11 e 15 de março.

    Contemporâneo do hype de bandas “The” dos anos 2000 (Strokes, Hives, Vines, White Stripes), o Interpol chegou com um disco muito elogiado em 2002, após quatro anos com participações em coletâneas e lançamento de três EPs. “Turn on the Bright Lights” trouxe pérolas como “PDA” e “Obstacle 1”. Com um pouco menos de empolgação foi recebido o segundo disco, “Antics” (2004), que teve destaques como “Slow Hands” e “Narc”.

    Desde que formaram a banda, ainda no campus da New York University os caras cantam sobre o que vivem. O estilo de vida da big apple seria temática constante de suas músicas. A opção por usar ternos em quase todas as apresentações e sessões de fotos deu ao grupo um ar “cool” e ao mesmo tempo ordinário, já que o traje é comum em qualquer estação de metrô de Nova Iorque. Porém, “Our Love to Admire” é digno de mérito por trazer arranjos que privilegiam a voz de Banks, cujas letras estão longe do compreensível, mesmo que a temática óbvia mantenha-se na angústia, no sexo e no uso e abuso de drogas.

    O Interpol não parece querer se desvencilhar do pós-punk que é fonte direta em sua carreira. O timbre “joydivisiano” continua ali, mas com a imposição de um Paul Banks mais maduro. A abertura do disco, com a belíssima “Pioneer to the Falls”, leva o ouvinte a pensar logo de cara que esta canção não poderá ser superada até a décima primeira faixa. É aí que as surpresas aparecem. “The Scale” e “Rest My Chemistry” são páreo para “Pioneer...” Momentos mais agitados podem ser conferidos em “Mammoth” e “The Heinrich Maneuver”. Os três anos em que o Interpol esteve fora dos holofotes fizeram muito bem ao quarteto, que ao vivo geralmente apresenta-se também com um músico adicional nos teclados. “Our Love to Admire” é daquele tipo de disco que você ouve do início ao fim, sem pensar em pular nenhuma faixa.

    O início

    Em um aeroporto desativado próximo a Stuttgart, na Alemanha, em junho de 2007, o Interpol fez um dos primeiros shows da turnê que chega ao Brasil. No domingo, último dia do festival South Side, eles se apresentaram em horário nobre entre o Bright Eyes e o Snow Patrol. Apesar de estar próximo das 20h, ainda havia alguns raios de sol insistindo em abrir espaço entre as nuvens quando Daniel Kessler tocou os primeiros acordes de “Pioneer to the Falls”, carro-chefe do disco que seria lançado dali a duas semanas. Na platéia, alemães, suíços, mexicanos e claro, brasileiros, elevavam seus olhos e ouvidos para o quarteto que voltava à cena após uma longa temporada longe do show business.

    A letra estava na ponta da língua da maioria do público, que foi superior a 20 mil pessoas. Os ternos, as gravatas, as camisas estavam ali, como é de praxe eles se apresentarem. E, para quem os via pela primeira vez, o encantamento era imediato. O vento frio e o céu cinza combinavam perfeitamente com o clima proporcionado pelos sucessos dos três discos do Interpol. Se o que nós vimos na Alemanha se repetir por aqui, será um espetáculo de poucas palavras e muita música. É difícil afirmar isso, porque a platéia e o clima brasileiros têm o dom de encantar bandas gringas de tal forma que eles podem não seguir à risca o roteiro e quem sabe, para nosso deleite, eles resolvem sair da linha. Afinal, eles já ameaçam em “The Scale”: “você pensa que agora nos conhece? Espere até que as estrelas apareçam e verá”. Para saber mais: www.interpolnyc.com. Confira os locais dos shows no site www.correiodeuberlandia.com.br

    Serviço:
    Shows do Interpol no Brasil

    São Paulo – 11 de março
    Local: Via Funchal
    Ingressos de R$ 100 a R$ 160
    Inf.: www.viafunchal.com.br

    Rio de Janeiro – 13 de março
    Local: Fundição Progresso

    Ingressos de R$ 100 e R$ 50 (meia-entrada)
    Inf.: www.fundicao.org

    Belo Horizonte – 15 de março
    Local: Chevrolet Hall
    Ingressos R$ 100 e R$ 50 (meia-entrada)
    Inf.: www.chevrolethallbh.com.br

    2월 17일

    Músico: eu respeito

     
    14-02-2008

    A pauta para este Musicais surgiu durante uma conversa com o músico e produtor Neto Castanheira. Para quem não conhece, ele já foi responsável pela bateria no Tamisa, entre outros trabalhos, e atualmente é lead guitar d´Os Seminovos. Como muitos, até mesmo do meio musical, ele ainda está conhecendo esse chamado novo underground da música. Mas a pergunta que ele me fez durante um festival com várias bandas em Uberlândia ainda ecoa na minha cabeça: como essas bandas sobrevivem?

    Há pelo menos oito anos o mercado independente vem crescendo significantemente, mas, infelizmente, a maioria dos músicos das bandas neste contexto inseridas ainda tem que se virar para bancar o que o Neto chamou de sonho. Para aqueles que apostam todas as fichas na internet, basta ver o exemplo d´Os Seminovos. Como o Neto mesmo comentou, são campeões de acessos, views no YouTube e tudo mais, mas, dinheiro que é bom, não entrou nada. Para aqueles que querem viver de sua música o tal sonho será impossível se não se vender mais música, o como isso deve ser feito vem sendo testado de várias formas. No Brasil uma que se destaca é o Download Remunerado, da Trama Virtual. O download sai grátis para quem baixa mas o artista é remunerado por algum dos anunciantes do site.

    Por enquanto, muitas bandas continuam a existir graças à vida dupla de seus integrantes. Durante o dia são professores, advogados, engenheiros, balconistas, atendentes de telemarketing, publicitários... à noite viram guitarristas, baixistas, vocalistas, tecladistas ou bateristas da banda na qual acreditam. Muita gente pode dizer que é muito fácil ganhar a vida viajando de um lado para o outro, se hospedar em bons hotéis com restaurante à disposição, mas poucos entendem todo o trabalho anterior que é necessário para que um show aconteça. Quem opta pela vida na estrada abre mão de muita coisa.

    Com tudo contra e mais um pouco, essas pessoas muitas vezes ficam largadas no mercado que insiste em se dizer mais justo que o mainstream, porém, creio que tal realidade só será mesmo concretizada a partir do momento em que ninguém tocar mais “por divulgação”. Da mesma forma que têm selinhos por ai de “Produto 100% Natural”, “Empresa Amiga da Criança”, “Advertência aos Pais”, deveria ser criado um com os dizeres “Músico: eu respeito” para serem utilizados por festivais e casas de shows que adotem a política mais do que correta de ter um cachê, mesmo que simbólico para os iniciantes, em seus eventos. A hora não poderia ser melhor, já que a credibilidade dos festivais depois da criação da Associação Brasileira dos Festivais Independentes – Abrafin - aumentou, assim como os patrocinadores.

    Adreana Oliveira
    Jornalista
    adre@correiodeuberlandia.com.br

    2월 11일

    U2 - The Joshua Tree

     
    “The Joshua Tree” é atual 20 anos após o lançamento
    Disco que projetou o U2 como uma das melhores bandas do planeta é relançado

    Anton Corbjin/Divulgação
     
     
    u2--2
     
    Atualizada: 10/02/2008 - 19h31min

    O que define um clássico na música pop? Impacto causado na época de seu lançamento, uma boa vendagem e principalmente o fato de ultrapassar qualquer barreira que o tempo possa impor. Um clássico da banda irlandesa U2, “The Joshua Tree”, quinto disco de estúdio deles, em 2007 completou 20 anos, o que levou ao lançamento de uma edição especial produzida pelo guitarrista The Edge (David Evans), “The Joshua Tree (Remaster)” (Universal Music). Suas 11 canções levaram o U2 ao topo de uma montanha que começaram a escalar em 1976, quando se juntaram após o baterista Larry Mullen Jr. deixar um anúncio no mural de recados da Mount Temple High School, em Dublin.

    Paul Hewson, que tornou-se Bono Vox, o baixista Adam Clayton e The Edge chegaram a ter um quinto companheiro, Dick Evans. Ele não ficou por muito tempo, talvez por não levar muita fé no projeto daqueles jovens que mal sabiam tocar um instrumento. Hoje, pouca gente sabe o que foi feito de mr. Evans, mas o U2 continua fazendo sua história para um público cada vez maior.

    A banda alcançou o topo da montanha com “The Joshua Tree” em 1986 e não fez o caminho inverso. Pelo caminho, deram-se ao direito de um deslize com “Pop” (1997), mas nada que pudesse arranhar definitivamente a imagem de um grupo que é um dos mais íntegros que o rock mundial já produziu. Mesmo tendo passado 31 anos desde o primeiro encontro, o U2 se mantém atual e talvez por isso não se encaixe na categoria de dinossauros do rock. O disco figura em toda lista decente de “melhores de todos os tempos”. Em 2003 ficou na 26a colocação no ranking da revista americana “Rolling Stone”, que listou os 500 álbuns de todos os tempos.
     
    Ouvindo

    Cinqüenta minutos, 12 segundos. Esse é o tempo corrido de “The Joshua Tree”, que começa com “Where the Streets Have no Name” e termina com “Mothers of the Disappeared”. Entre uma e outra canção, o jeito particular que Bono tem para escrever de canções que embalam romances (“With or Without You”), um alerta sobre o alto consumo de heroína em Dublin (“Running to Stand Still” e guerras “Bullet the Blue Sky”).

    Se você parar para pensar, não são muitas as “coisas” que permanecem com você por mais de 20 anos. Mas, uma edição em fita K7 ou vinil de “The Joshua Tree” deve ter um lugar especial na prateleira dos amantes da boa música da mesma forma em que circula nos iPods dos mais adeptos das novas tecnologias.

    No documentário “Rattle and Hum", gravado entre 1988 e 1986, a banda é acompanhada em estúdio em incansáveis horas nas quais o sofá do “aquário” era o lugar mais disputado para uma soneca nos intervalos de gravação. A busca da nota perfeita, da harmonia marcante e do tempo certo geravam discussões sobre os milésimos de segundo entre uma nota e outra da introdução de “Where the Streets Have no Name”.

    O U2 é conciso, funciona perfeitamente com suas quatro peças que jamais foram substituídas. Os integrantes conseguem manter uma certa discrição em suas vidas pessoais, mesmo com suas imagens carregando a logo da banda por onde quer que passem. O profissionalismo do U2 é mais uma vez confirmado em “Go Home: Live from Slane Castle”, lançado em 2003 e gravado em 2001 em Slane Castle, o show é carregado de emoção, já que Bono cantara antes no funeral de seu pai, que morreu vítima de câncer.

    Com canções consistentes como as que permeiam “The Joshua Tree”, o U2 estará por muito tempo permanente no inconsciente coletivo de muita gente, assim como as músicas assombram o inconsciente de seus compositores irlandeses. “A música ela já existe em algum lugar, você a estraga assim que começa a colocar no papel”, filosofa Bono em um dos momentos do DVD de “How To Dismantle An Atomic Bomb” (2004).

    Faixas
    `Where the Streets Have No Name’; ‘I Still Haven’t Found What I’m Looking For’; ‘With or Without You’, ‘Bullet the Blue Sky’; ‘Running To Stand Still’; ‘Red Hill Mining Town’; ‘In God’s Country’; ‘Trip Through Your Wires’; ‘One Three Hill’; ‘Exit’; ‘Mothers of the Disappeared’.

    1987: o ano da árvore*

    FEVEREIRO
    O U2 começa uma turnê de 110 shows agendados em grandes arenas

    MARÇO
    21: lançamento oficial de “The Joshua Tree”, também creditado para fevereiro em alguns veículos, que entra como número um em vendas na Inglaterra com 235 mil cópias na primeira semana e em 48 horas já era disco de platina

    27: a banda grava o vídeo de “Where The Streets Have no Name”, no centro de Los Angeles
    28: “With or Without You” chega ao número 4 na parada britânica

    ABRIL
    27: o U2 é capa da revista “Time” e na Manchete: “U2: Rock’s Hottest Ticket”
    28: o disco chega ao topo da parada norte-americana

    MAIO
    16: “With or Without You” torna-se a primeira música do U2 a chegar ao posto de número um da parada norte-americana, posição que ostentou por três semanas

    JUNHO
    13: “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” chega ao número 6 na parada britânica. O vídeo é gravado em Las Vegas (EUA)

    AGOSTO
    8: “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” lidera as pardas norte-americanas

    NOVEMBRO
    7: “Where The Streets Have no Name” chega ao número 13 nos EUA. É lançado o livro “Unfogettable Fire: The Story of U2”, de Eamon Dunphy que entra na lista dos mais vendidos na Inglaterra
    18: a banda se apresenta como Dalton Brothers antes de um show do U2 no Coliseum de Los Angeles. Nesta apresentação Bono virou Alton, The Edge transformou-se em Luke, Adam apresentou-se como Betty e Larry tocou como Duke.

    1988
    2 de março: o U2 recebeu o prêmio de Melhor Álbum de Rock e Melhor Performance de Rock por “Joshua Tree” no 30o Grammy, realizado no Radio City Music Hall, em Nova Iorque. Até hoje, o disco já vendeu 20 milhões de cópias.

    *Fonte: Q Encyclopedia of Rock Stars, de Dafydd Rees e Luke Crampton, DK Books, 1996.

    MY CHEMICAL ROMANCE

     
    10-02-2008
     
    My Chemical Romance toca no Brasil
    Procura por ingressos em São Paulo provocou data extra

    Divulgação
    11MCR
     
    Adreana Oliveira
    Editora

    A temporada de shows gringos no Brasil começa neste fim de semana com uma das bandas mais aclamadas pelos jovens, emos  ou não, da atualidade, o My Chemical Romance. Eles se apresentam nos dias 18 e 19 na Via Funchal em São Paulo , a grande procura por ingressos fez com que uma segunda data fosse agendada para a capital paulista. O quarteto se apresenta no Rio de Janeiro dia 15. Quem traz o grupo é a Mondo Entretenimento, também responsável por shows como do Linkin Park, 50 Cent, Black Eyes Peads, Hig School Music, RBD e Jack Johnson no Brasil. 

    A vinda do My Chemical Romance faz parte da turnê internacional de lançamento do terceiro álbum do grupo, "The Black Parade", considerado pela crítica internacional ainda mais sombrio e bombástico do que os trabalhos anteriores.

    MCR

    O My Chemical Romance vem de um subúrbio de Nova Jersey, Estados Unidos. Surgiu em 2001 e o que levou à união dos caras foi uma paixão em comum por filmes de terror, música e filosofia punk. A banda é composta por Gerard Way (vocal), Ray Toro e Frank Iero (guitarras), Mikey Way (baixo) e Bob Bryar (bateria).

    A primeira música do grupo foi "Skylines and Turnstiles", que falava dos sentimentos de um cidadão diante dos ataques terroristas do 11 de setembro. Em 2002 a banda gravou seu primeiro álbum "I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love", lançado em 2003 pela independente Eyeball Records.

    Em fevereiro de 2004, já estourados em todo o mundo, a banda assina contrato com a gravadora Reprise, e entra em estúdio sob a tutela do produtor Howard Benson (All American Rejects, Motorhead, Less Than Jake) para gravar seu segundo álbum, "Three Cheers For Sweet Revenge", que inclui os sucessos "I’m Not Okay (I Promise)", "Helena" e "The Ghost of You". O disco rendeu um álbum de platina ao grupo e o convite para abrir shows do Green Day. Em todo o mundo eles venderam mais de dois milhões de cópias.

    2006 foi um ano de muito trabalho e reconhecimento para a banda. Em março eles lançaram seu primeiro DVD, "Life on The Murder Scene", e em outubro chegou às lojas seu terceiro álbum, "The Black Parade". Pontos de partida para a criação do disco incluem Sgt.Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles e A Night At The Opera, do Queen. O álbum conta a história de um jovem, chamado The Patient, que está morrendo em uma cama de hospital. Ao longo do álbum, vários personagens o ajudam a reexaminar sua existência, enquanto lhe ensinam sobre a deles, oferecendo novos conceitos sobre vida e morte.

    "Enquanto estávamos trabalhando nesse disco, cada emoção, boa ou ruim, emanava de nós dando forma às músicas", conta o baixista Mikey Way. "Foi um período realmente muito intenso e tivemos momentos incríveis. Algumas vezes era bom e divertido, algumas vezes era realmente duro, mas sempre era incrível". Após terminarem o novo disco os integrantes da banda se sentem mudados - mais comprometidos, mais experientes e mais conectados à vida real do que à fantasia de terror. E mesmo "The Black Parade" sendo um disco dark, está cheio de esperança e promessa. E eles comprovam que estão acima daquela chamada onda emo. Página Oficial: http://www.mychemicalromance.com

    SERVIÇO
    Show: My Chemical Romance
    Data : 18 e 19 de fevereiro na Via Funchal, em São Paulo
    Horário: 21:h30
    Classificação etária: livre
    Local: Rua Funchal, 65 - Vila Olimpia
    Ingressos: variam de R$ 140,00 a R$ 250,00
    Disk Ingresso: 11-3188-4148 (Call Center) e 11-3897-4456 (Fui Passear)
    Vendas online: www.viafunchal.com.br

    CRUST DIVISION + GRITO ROCK

    09-02-2008

    Som de Paracatu para a Europa


    Foto: Divulgação

    Crust Division apresenta-se em Oslo, na Noruega, em um dos melhores shows do tour

    “Vocês vão tocar ‘Saul Bandoleiro’? É a minha favorita.” Essa pergunta fez parte de um dos dias mais memoráveis da vida de Lauro Santana, de 23 anos, idealizador da banda de trash metal com forte influência do hardcore Crust Division. O questionamento simples poderia até ter passado desapercebido, se não tivesse sido feito no continente europeu, mais precisamente em Sofia, capital da Bulgária, por um dos presentes no show que a banda fez na cidade. Acompanhado do baixista Allisson (Dead Smurfs), o guitarrista Guilherme Miranda (Krow/U-Ganga) e o baterista Bambi Mazzini, Lauro levou o Crust Division a uma inesquecível turnê pelo continente europeu de setembro a novembro do ano passado. “Foram 70 dias, 61 shows e 26 países pelos quais passamos e tocamos em 24 deles. Não tinha um dia igual ao outro”, lembra Lauro.

    As músicas falam de histórias que Lauro ouvia dos pais e avós e tratam de personagens folclóricos de sua cidade natal, Paracatu (MG), como o citado “Saul Bandoleiro”, uma espécie de cangaceiro do Centro-Oeste. “Meu bisavô que contava muito a história dele. Músicas como ‘Matriz do Rosário’ também têm esse caráter histórico”, explica Lauro. Para ele, este é o grande trunfo da banda. “É uma forma de manter vivas as nossas tradições, pelas quais o público no exterior tem muita curiosidade. Nós estamos tão condicionados a conhecer as histórias de deuses escandinavos que muitas vezes deixamos morrer nossas tradições”, justifica.

    Surgido em um período de greve da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), onde Lauro cursa Engenharia Elétrica, o Crust Division tem o seu berço em Paracatu. Foi lá que Lauro, Marcionílio (baixo) e Gleutão (bateria) gravaram o primeiro CD, no computador da mãe dele, no maior esquema “faça você mesmo”. A banda fez apenas duas apresentações com esta formação e, em agosto de 2006, Lauro partiu para um ano de estágio na França. “Nessa época fiz contato com o Allisson, que comentou sobre a banda paulista Discarga, que fazia turnês pela Europa e conseguia até levantar grana com isso”, comenta.

    Foto: Divulgação

    Banda em frente ao Parthenon, em Atenas


    Foram meses dedicados a fazer contatos via internet. “Ficava das seis horas da tarde até as duas horas da manhã no computador e um contato levava a outro”, explicou. O esforço valeu à pena e, em agosto de 2007, Lauro retornou ao Brasil já com o plano traçado daquela que seria a maior aventura de uma banda underground mineira em solo europeu. “Fizemos apenas dois ensaios antes da viagem, aconteceu muita coisa até que definíssemos o que cada um faria.” Nesse meio tempo, Allisson sofreu um acidente que comprometeu seriamente os movimentos do braço direito. “Ele retirou os pinos poucos dias antes da viagem, foi um milagre ele ter se curado tão rápido”, afirma Lauro.

    Guilherme ganhou o posto de frontman após ajudar informalmente o Crust Division a agendar os shows. “Eu ia me cansar muito se tivesse que cantar e tocar e o Guilherme, desde o início, deu o maior apoio para o projeto. Até fez uma capa mais profissional para o CD, que era xerocada.”


    Uma história para contar

    A viagem do Crust Division não foi feita só de bons momentos. Lauro, Bambi, Guilherme e Allisson passaram por situações difíceis. “Enfrentamos muito frio e a estrutura dos locais em que tocávamos nem sempre era boa”, lembra Guilherme. “Em algumas cidades, como na Dinamarca, a gente recebia 400 euros, tinha água quente para o banho, comida boa e um lugar para dormir. Em outras situações, como em Utrecht, na Holanda, chegamos a receber um cachê de apenas 12 euros”, recorda Lauro.

    Foto: Divulgação

    Banda em frente ao Coliseu, em Roma


    O Crust Division tem orgulho de dizer que foi a primeira banda brasileira a tocar na Moldávia, país vizinho à Romênia. O show foi na capital, Chisinau. “Foi coisa de louco, as pessoas pediam autógrafo, paleta, disputaram até corda arrebentada do baixo”, conta Guilherme. “Nessa noite gravamos uma participação na MTV de lá e tivemos destaque em vários sites, todos com resenhas boas”, lembra Lauro. Muitas vezes, o cachê era usado para comprar comida. “Eu ainda economizei para comprar a guitarra dos meus sonhos, uma BC Rich”, lembra Guilherme, amargurado. A guitarra foi roubada após uma apresentação sua com U-Ganga em Uberaba, após o retorno ao Brasil.



    Depois de uma a passagem pela Grécia, o cansaço começou a tomar conta dos rapazes. “Uma turnê grande dessas com a estrutura que tivemos não rola. Valeu como um aprendizado, mas da próxima vez, vai ser melhor”, explica Lauro. A comida também não ajudou muito. “Soja nunca mais, cansei de comida vegetariana”, brinca Lauro. Para eles, dormir uma noite em cada lugar — e, às vezes, nem dormir — ou ter que passar a noite no palco onde tocaram não é o que eles almejam para o próximo tour.

    Depois de tanta estrada, Lauro vai dedicar os próximos seis meses aos estudos para concluir o curso. “Vou terminar a faculdade e arrumar um trabalho, já está na hora de começar a pagar minhas contas. Não sei se continuarei no Brasil. Se isso acontecer, as turnês da banda acontecerão durante as férias do trabalho”, projeta.

    Com apenas dois shows intimistas no Brasil, Lauro quer priorizar o País após essas “férias” dos palcos e Guilherme e Allisson estão nos planos dele para a continuidade do Crust Division. Para saber mais sobre a banda e conferir o diário da turnê com todas as cidades por onde tocaram: www.myspace.com/crustdivision.

    GIRO INDIE

    A edição 2008 do Grito Rock Uberlândia funcionou como um bom laboratório, principalmente para as bandas locais. Na segunda noite de shows (resenha da primeira você conferiu na semana passada), o Fuzilis mostrou que está encontrando o seu diferencial e vai muito além do emo. Até mesmo os covers obscuros foram substituídos por nada menos que Foo Fighters (“The Pretender”) e as novas músicas dos meninos contam com mais guitarras, harmonias diferentes e peso.

    O Rhox (MT) fez a galera balançar a cabeça com seu som inspirado em Rage Against The Machine e foi campeão em receptividade. O Espíritos Zombeteiros (PR) está de volta e bem mais pesado do que nos seus primórdios. Chega a ser angustiante ouvi-los, no bom sentido. O Mata Leão (MG) subiu ao palco depois das duas da manhã. Como os problemas com o som diminuíram, mas persistiram, eles sofreram um pouco para ajeitar suas pedaleiras ao local, mesmo assim, fizeram uma apresentação de respeito. Para fechar, Bang Bang Babies (GO) com seu rock and roll garageiro para os bravos que esperaram até às 4 da manhã.

    Como os shows atrasaram muito nos dois primeiros dias, no terceiro eu cheguei mais tarde. Por isso perdi o Arca (MG) e peguei os acordes finais do Ruído Jack (MG). Para o Arca, não vale a pena ficar enrolando para começar até chegar mais gente. “É respeito ao público começar na hora marcada”, comentou comigo o vocalista. A banda paulista Deize Confuza mostrou sons de seu primeiro disco e conseguiu chamar a atenção do público. O Woltage (MG) fez sua primeira apresentação na casa mostrando músicas bem-feitas em todos os sentidos, destacando-se em todo o festival. Coube ao Mono, de Belo Horizonte, fechar a noite com o show mais curto do evento. Quem não ficou perdeu. Eles foram intensos nos seus 20 e poucos minutos e mostraram músicas que estarão no próximo CD, que sai em março. Sem perder a simpatia, despediram-se seguindo para Cuiabá, onde se apresentaram no dia seguinte.

    No domingão, o som subiu e a faixa etária caiu no Grito Rock Uberlândia. A Fuerza abriu a noite com seu hardcore straight edge. O palco era pouco para os dois vocalistas e a performance dos músicos também era de prender a atenção para os menos adeptos do estilo. Tocavam de pé, ajoelhado, deitados e, mesmo quando o parafuso que segura a alça de uma das guitarras arrebentou, eles mantiveram o ritmo.

    Na seqüência subiu o DYF, hardcore um pouco mais melódico, também da nova geração do underground uberlandense. “É muito bom estar aqui e dividir um pouco do que a gente sente e pensa com vocês”, agradeceu o vocalista Ávner. Estreando com o novo baterista, Sandro, o trash do Metal Carnage mais uma vez ecoou pela casa e eles não dão sinal de cansaço. O Chilli Mostarda, com um rock morno, encerrou a noite com o calor digno dos cuiabanos. Hoje o Goma recebe Lucy e the Popsonics e Noise Reaction. Confira mais detalhes no Roteiro.

    Foto: Adreana Oliveira

    Banda Woltage

    MADAME SAATAN + CLÁSSICOS + GRITO UDIA

     
    02-02-2008

    Uma sonora delícia infernal

    Depois de mais de cinco anos de batalha a banda paraense Madame Saatan lança seu primeiro CD. Com uma boa repercussão do demo “O Tao do Caos” (2005), que proporcionou ao grupo ultrapassar as fronteiras de seu Estado, Sammliz (voz), Ícaro Suzuki (baixo), Edinho Guerreiro (guitarra) e Ivan Vanzar (bateria) estão satisfeitos com a mais nova criação. “A gente é só felicidade. É como um filho parido. Demoramos um ano para conseguir gravá-lo, processo que foi feito em apenas sete dias. Ver ele prontinho foi intenso”, afirma Sammliz.

    Porém a bela morena de cabelos encaracolados e voz grave que personifica o rock and roll paraense admite que, para ela, o processo de composição não é dos mais fáceis e, durante o mesmo, ela opta pelo silêncio em casa. “Pode ser incrivelmente desconcertante”, desabafa. No caso do CD “Madame Saatan”, algumas idéias já estavam prontas, em pouco tempo colocaram tudo no papel e estavam prontas para serem executadas, como “Devorados”.

    Já com “Prometeu”, a história foi outra. “Para mim o processo criativo é doloroso, ainda que, no fim, o prazer sempre chegue”, explica. Ela diz não seguir um padrão para escrever e criar melodias, deixa nas mãos do tempo. Para quem já teve contato com o quarteto, por mínimo que tenha sido, percebe uma coisa: são perfeccionistas. “Somos cuidadosos. As músicas amadurecem com o tempo, sempre é assim, mas nos concentramos nos ensaios para elas crescerem direitinho.”

    O Madame Saatan está inserido no circuito independente de música no qual hoje o formato para lançamento das músicas é bastante discutido. Será que vale ou não a pena gravar um CD? Financeiramente falando não seria melhor lançar apenas virtualmente e procurar se manter com a grana dos shows? Para Sammliz, a indústria musical está em surto e novos caminhos são apresentados a cada dia. “O lance da distribuição virtual é um dos nossos maiores veículos, senão o maior”, comenta.

    Mesmo assim resolveram salvar o CD físico. “Logo que ficou pronto deixamos disponível na íntegra para download livre. Recebemos e-mails do Brasil todo de pessoas que nos conheceram assim, porém temos uma boa parceria para distribuição do CD, principalmente em festivais, porque tem gente que ainda consome este formato”, argumenta.

    Eles estão cada vez mais satisfeitos com o aumento do volume de shows a cada ano e, em março, passarão uma temporada em São Paulo para favorecer apresentações no Sudeste brasileiro. “Dessa vez, Uberlândia não nos escapa”, avisa a vocalista. Sammliz conta que a cena de Belém continua forte e transpirando rock pelos poros, com bandas surgindo a todo vapor.
    Fora da cena local, ela continua ouvindo “as velharias de sempre”. Adora Led Zeppelin, Black Sabbath, Bessie Smith e ultimamente está encantada com Elis Regina.

    Uma bacana viagem coletiva

    Mais do que uma banda, Ivan, Ícaro, Edinho e Sammliz formam uma grande família, com todas as suas alegrias e dores, uma delícia infernal. É esta base que os mantém neste mercado que cobra tanto e oferece pouco. “Estamos cada vez mais unidos, caso contrário, a idéia de banda não vinga. Tem que ser um sonho, uma viagem coletiva para dar conta do trabalho que isso tudo envolve”, explica a vocalista Sammliz.

    A originalidade do rock pesado cantado em português com suas influências diversas tem rendido ao Madame Saatan um considerável interesse da mídia. A pergunta sobre a origem do nome da banda é uma das mais freqüentes nas entrevistas. “Ainda vamos ter que responder a isso várias vezes, mas para fazer algo mais interessante, realizamos uma enquete pelo Orkut para escolher as mais criativas e variar um pouco”, conta.

    Com uma performance explosiva no palco, Sammliz personifica uma girl rock e, para isso, vinha se equilibrando em saltos altíssimos em suas botas descoladas. Com tanta euforia, os pezinhos não suportaram. “De tanto saracotear com salto de 10 centímetros, eu tive um problema nos pobres pés e tive de reduzir o salto por uns tempos, o que me arrasa”, comenta. Porém ela admite que uma vez ou outra esquece as recomendações médicas, sai das plataformas e volta para o salto agulha. “Mulher, a coisa é louca mesmo”, desabafa.

    É preciso muito fôlego e preparo para um show que traz canções tensas e explosivas como “Devorados”, “Cine Trash” ou “Messalina Blues”, porque é uma responsabilidade e tanto ser a voz que preenche os arranjos de um baixista exímio como Ícaro, um guitarrista virtuoso como Edinho e um baterista preciso como Ivan. Para saber mais: www.madamesaatan.com. O disco é distribuído pela Ná Records, Fósforo Records, Cubo Discos e Tratore.

    GIRO INDIE

    A banda mineira Scarcéus, de Belo Horizonte, é uma das atrações de amanhã do “Domingão do Faustão”. Com oito anos de estrada, os roqueiros iniciaram um tour 2008 pelo Rio de Janeiro. Eles estarão no quadro “Pistolão”, indicados pelo ator global Malvino Salvador e apresentarão a música “Não Era Pra Ser”.

    Antes de entrar em férias para reforma, o London fez um Clássicos do Rock especial. A banda TomaHawk escoltou, além de seu próprio vocalista, Cristiano, Edu Falaschi (Angra/Almah), Everson (U2 Cover) e Gleison Túlio. Aliás, eles tiveram pouco trabalho com o Gleison, já que o cara é literalmente um “one band man”.

    Ele abriu a noite com “Come Together” (Beatles), numa versão bem diferente proporcionada por seu talento com o violão e seus pedais. Por sua interpretação de “Paranoid”, Everson mostrou que pode mandar bem, caso precise fazer um Black Sabbath ou Ozzy Cover. Em um dos melhores momentos da noite, acompanhado do guitarrista Rafael Rezende ao violão, Everson fez sua versão de “Love Of My Life” (Queen). Edu Falaschi não saiu muito da sua linha, cantando Angra, Iron Maiden, exceção para “The Show Must Go On”, também do Queen. A música escolhida para reunir todos os vocalistas no palco, para fechar a festa, não poderia ter sido melhor: “Rock And Roll All Night”, o clássico do Kiss.

    O Goma segue abrigando o Grito Rock Uberlândia até amanhã. Na quinta-feira, primeira noite, três bandas se apresentaram: Vandaluz, de Patos de Minas, Caffeine, representando a cidade, e Montage (CE). No geral, as atrações locais não deixam nada a desejar em relação às bandas de outros estados. O público da primeira noite foi bom, superior a 200 pessoas. Devido ao atraso, muita gente foi embora sem conferir o show dos cearenses. O Vandaluz, que estava marcado para começar às 22h, subiu ao palco às 0h15 com sua vasta paleta diversificada de estilos, ritmos e ótimo figurino.

    Devido a problemas no som, foram feitas pelo menos duas longas pausas no show. As coisas não melhoraram para o lado do Caffeine, que teve o set encurtado para que o Montage subisse ao palco pouco depois das 3h da manhã. O trio estava empolgado, mas em 20 minutos de apresentação, duas pausas. “Essa música é muito pesada, mas do jeito que vocês estão ouvindo é como se estivesse saindo de um radinho de pilha”, bradou o vocalista Daniel Peixoto. Com compromisso na redação do CORREIO de Uberlândia às 7h30 não consegui ficar até o fim do show, que, segundo me relataram depois, acabou antes do previsto.

    Vamos torcer para que hoje as bandas Arca, Ruído Jack, Deize Confusa, Woltage e Monno tenham mais sorte. Amanhã o som fica por conta de Fuerza, Dyf, Metal Carnage, Chilli Mostarda e Mandala Soul. Confira mais detalhes no Roteiro. Mesmo com alguns percalços, vale a pena ressaltar o trabalho da produção local desta segunda edição do Grito Rock, que é o maior festival integrado de rock independente da América do Sul, um marco para a cidade e para o rock nacional. Portanto, vale a pena prestigiar.

    Foto: Renato Reis/Divulgação

    Madame Saatan: Os paraenses aportam em São Paulo em março para favorecer apresentações no Sudeste brasileiro




    QUE MÚSICA VOCê É?

     
    31-01-2008

    As nossas versões

    Adreana Oliveira

    Não só nossa vida pode ser comparada com uma canção. Nós mesmos podemos nos definir como uma música. A questão é encontrar a trilha sonora de sua existência que pode variar de um punk rock de um minuto e oito segundos ou um som progressivo de 13 minutos e 47 segundos. Como canções, estamos sujeitos a julgamentos, críticas amargas e a olhares superficiais de pessoas superficiais, preguiçosas, incapazes de te traduzir ou interpretar.

    Talvez sua batalha seja se tornar um hino simples na linha verso/refrão/verso. Mas é difícil fazer isso de uma forma impecável, é fácil tornar-se banal. Não atingirá as rádios e ficará preso aos elevadores, salas de reunião e restaurante, onde você é completamente dispensável. Sem contar nos consultórios de médicos e dentistas. Ninguém vai prestar atenção em você quando existem várias revistas de fofoca sobre as mesinhas ou um programa sensacionalista rolando na TV.

    De repente, você acerta uma. Todos querem te consumir, estar perto, conectado e dentro de você. A euforia dura pouco tempo, o suficiente para outro ritmo mais estranho, moderno ou marketeiro te superar nas paradas de sucesso. Neste momento, cuidado para não ficar louco.

    Mesmo quando se é o centro das atrações é difícil agradar a todos. Quando se acostuma com o “falem mal, mas falem de mim” é sinal de que tem algo muito errado. A dignidade pode se resumir em pagar o próprio aluguel.

    De repente, o “Don’t let me Down” (Beatles) vira uma súplica jamais atendida porque todos querem te ver muito para baixo. Afinal, o sucesso atrai os holofotes também dos invejosos e fracassados.

    Encontrar o seu lugar na prateleira não é fácil. Felizmente, em alguns momentos, você vai encontrar no seu caminho alguém que usa suas notas para melhorar a própria harmonia e talvez queira dividir com você um pouco da originalidade que é abundante em seu tempo.

    Não se perde nada por ser uma partitura simples, se esta te representar e também não vale a pena querer se esconder atrás de uma simplicidade que não te traduz na esperança de que te entendam melhor quando você está mais para uma “Symphony No. 9” (Beethoven) do que para um jingle publicitário. Responda rápido: que música você é?

    adre@correiodeuberlandia.com.br

    1월 28일

    Fatboy Slim - Entrevista + review de show

     
     “Não sou o melhor DJ do mundo”
    Fatboy Slim faz algumas revelações em sua passagem por Uberlândia
    Adreana Oliveira
    Editora
    28/01/2008

    A idéia de férias de Norman Cook, mais conhecido como Fatboy Slim, é ficar em casa, na Inglaterra, curtindo a mulher e o filho de 7 anos. Seu trabalho e sua diversão consistem em viajar pelos quatro cantos do mundo com seus vinis e fazer sets de música eletrônica que o consagraram como um dos melhores DJs de todos os tempos. “Não sou o melhor do mundo, na minha opinião, é Carl Cox”, declarou ele durante entrevista coletiva em Uberlândia, citando um dos nomes mais importantes da cena britânica do eletrônico. Ele acredita que suas performances espontâneas, que não se tratam apenas de se mostrar, têm muito a ver com sua fama. “Acho que é isso que me faz um dos DJs mais populares.”

    Já com o típico bronzeado do inglês em solo brasileiro há alguns dias, Fatboy Slim ficou cerca de 30 minutos respondendo a perguntas, até mesmo às mais toscas, dos jornalistas de Uberlândia e região. A curiosidade em torno de sua primeira banda, The Housemartins, na qual tocava baixo, causou-lhe surpresa. “Como vocês se lembram disso? Já faz mais de 20 anos, é engraçado...”. Mais espantado ficou ao saber que a música “Build”, do Housemartins, havia figurado até em telenovela global.

    O quarteto inglês é uma lembrança em sua cabeça, hoje com muitos cabelos brancos em evidência. “Considero o Housemartins apenas o meu primeiro emprego. Sou muito mais feliz como DJ”, garante. Porém, ele esclarece que, ao contrário do que diz o Wikipedia, a enciclopédia livre, ele não começou sua carreira musical como baixista. “Eu era DJ antes, mas não era como hoje, que temos uma estrutura e podemos viajar pelo mundo fazendo shows. Acreditem, há algum tempo, o DJ não era importante.” E completa: “É melhor tirarem informação do meu site”. O www.myspace.com/fatboyslim tem tudo sobre o DJ.

    Sobre os dias de glória da cena eletrônica que o projetou, ele afirma que no início dos anos 90 ela podia ser considerada uma revolução, como foi o punk nos anos 70. Sobre o futuro da música eletrônica, ele diz que artistas como ele sofrem sem o apoio das rádios. “É difícil você colocar música eletrônica nas rádios e isso limita um pouco sua audiência, talvez por isso eu tenha declarado que voltamos para o underground... mas estaremos de volta ao topo”, promete.

    Questionado sobre o alto consumo de drogas no cenário eletro, ele não se fez de rogado. “Definitivamente há uma ligação entre drogas e música, todo tipo de música, não só com eletrônico. Pessoas jovens, álcool, sexo, drogas e música. Essa não é uma particularidade das raves.”

    DJ elogia ritmo da música brasileira

    “Quando eu comecei pensei que não ia dar certo, que logo estaria trabalhando em um banco, de volta à vida real”, declarou Norman, quando questionado sobre suas perspectivas quando se tornou DJ. Ele se sente à vontade ao tocar para milhares de pessoas e adora locais abertos. “Gosto de lugares bonitos”, afirma. Mas, como todo “gênio” é um pouco contraditório, quando está em casa, ouve qualquer coisa que não seja eletrônico. “Beatles, punk rock, bossa nova”, afirma. Ele citou artistas brasileiros como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jorge Ben e admitiu que o que gosta mesmo na música brasileira é do ritmo.

    “Mesmo porque eu não entendo as letras, talvez devesse entender...”, discorre, completando que também não é muito fã de country, o que o deve manter afastado do sertanejo.

    Como Fatboy Slim já fez composições para filmes como “Because We Can” e para “Moulin Rouge”, pode fazer novamente. Já, composições para jogos de computador estão fora de questão. “Não sou muito interessado em games, para falar a verdade”, admite. Em contrapartida, ele é o sonho de todo diretor de videoclipe. Quando se trata dos seus, ele faz “apenas uma aparição rápida”.

    Prestes a completar 45 anos, Norman Cook não apresenta sinais de querer se aposentar tão cedo. “Meu lugar favorito é todo lugar”, diz ele como quem pretende visitar muitos países ainda. “As pessoas me vêem voltando do Brasil, bronzeado e tal e imaginam que eu estava de férias, não é bem assim, eu trabalho muito”, afirma. Ele evita de levar a mulher e os filhos nas turnês exatamente para não misturar as coisas. Entre seus projetos, ele admite um carinho especial pela sua fundação Coaching for Hope (www.coachingforhope.org). O projeto consiste em levar o futebol a países subdesenvolvidos para ajudar crianças vulneráveis a se desenvolverem. Eles levam técnicos famosos do futebol mundial para treinarem técnicos locais não só para ensinarem futebol, mas também, para estarem aptos a educar sobre os perigos do HIV e aids.

    Foto:Adreana Oliveira
    Na cidade: o DJ foi pontual, simpático e mostrou por que é um dos melhores do mundo

    Público de Uberlândia vai ao delírio

    Quando subiu ao palco às 3 da madrugada já do dia 27 em Uberlândia, pontual como todo bom britânico, Fatboy Slim disparou um hit, “Praise You”. O público respondia aos seus acenos e pulava entre um giro e outro de seus preciosos vinis, delicadamente organizados em uma mochila camuflada que ficava logo atrás de sua turntable.
    A reação de êxtase da platéia aconteceu em momentos como “Put Your Hands Up For Brazil”, na qual ele enfatizava a frase “I love this country”, em “Right Here Right Now”, “Rockafeller Skank”. A particularidade de seu trabalho é perceptível quando coloca entre suas criações Nancy Sinatra, “Bang Bang”, Dee Lite, “Groove is in the Heart” e White Stripes, “Seven Nation Army”. Aos que ainda não tinham ouvido o “Rap das Armas”, MC Júnior e MC Leonardo, de “Tropa de Elite” by Fatboy Slim, caiu no funk de “papara papara papapapapa”.

    Entre um gole e outro e um cigarro e outro, literalmente suando a camisa, Fatboy Slim foi simpático e mostrou porque é um dos melhores DJs do mundo.

    Ele dançava, gesticulava com os braços para o ar e mandava beijos para a platéia. Sempre com um sorriso no rosto, até mostrou certa ginga com os quadris. Descalço, usando bermudas, faz do palco o seu parque de diversões, com direito a uma programação visual de primeira para encher os olhos daqueles que não entendem do riscado e por isso não se jogaram na pista.

    1월 26일

    Clássicos do Rock

     
    Gleison Túlio, Edu Falaschi e Everson soltam a voz hoje à noite no London
    Adreana Oliveira
    Editora
    25/01/2008
     
    Vocalistas já consagrados local, nacional e internacionalmente em uma noite com clássicos do rock em versões feitas para eles. Esta é a proposta da noite de hoje no London Pub, em Uberlândia, a partir das 23h. Gleison Túlio (BH), Everson (U2 Cover) e Edu Falaschi (Angra/Almah) prometem transformar a noite em uma grande festa para os amantes do rock.

    O convite para Edu surgiu quando ele esteve na casa com o Almah, no ano passado. “Sei que a proposta é fazer uma grande festa e o repertório vai ser decidido pouco antes do show para não estragar a surpresa”, diz o músico. Edu adianta que deverá cantar músicas do Angra e até mesmo do Almah, mas no setlist já tem ensaiados também sons do Iron Maiden e Queen, entre outros. Apesar de já ter participado de projetos de outros artistas como participação especial, dividir a noite hoje com Gleison e Everson vai ser algo totalmente novo para ele. Na Novo Som (C6), você confere os planos de Edu Falaschi para o Almah e terá notícias do Angra.

    U2

    Para Everson, que se sente em casa em Uberlândia e principalmente no London, o formato do show desta noite é mais familiar, porém, quem está acostumado a vê-lo cantando U2 de forma ímpar, terá oportunidade de ouvi-lo em clássicos do Led Zeppelin e Black Sabbath. “A peculiaridade está em cantar músicas que a maioria das pessoas nem imagina que eu gosto”, comenta.

    A expectativa em dividir o palco com “tamanhas competências artísticas” para ele é um desafio e uma honra. “O Edu, todo mundo sabe, é um dos melhores vocalistas de rock da atualidade; o Gleison tem um talento único, se juntar a ele é esquecer o profissional e fazer do palco um parque de diversão e com a oportunidade de ter testemunhas”, comenta.

    Mineirinho

    Gleison Túlio, natural de Pedro Leopoldo (MG), gravou recentemente seu quarto disco, “Bonus Track” e já tem 20 anos de carreira. Conhecido por seu virtuosismo de multiinstrumentista, tem entre seus ídolos The Beatles, Queen e Pink Floyd. “Clássicos dessas bandas não pode faltar em nenhum show como este”, comenta.

    Ontem ele se apresentou com o baterista Glauco Nastácia (Tianastácia) e a grande expectativa de hoje gira em torno do número em que os três vocalistas farão uma apresentação conjunta. A banda que tem a responsabilidade de escoltar as três vozes é a Tomahawk, prata da casa.

    SERVIÇO: Show com Gleison Túlio, de BH; Everson, do U2 Cover e Edu Falaschi, do Angra, acompanhados pela banda TomaHawk, a partir das 23h. Ingressos antecipados: femininos, R$ 12; masculinos, R$ 15. No Café, Washington Muzzi canta pop rock. Ingressos: R$ 7. Avenida Floriano Peixoto, 31. Informações: 3214-0470.
    1월 19일

    THE DTS; ECOS FALSOS, CAFFEINE, SOUL STONE E +

     
    19-01-2008

    Quarteto The DTs traz à tona o som dos anos 70 numa boa mistura

    Quando “Nicen’Ruff — Hard Soul Hits Vol.1” (Gabeira Records), da banda americana The DTs chegou por aqui, em meados de 2006, a vinda deles para o Brasil ainda era uma possibilidade remota. Porém, menos de um ano depois do lançamento, no fim de 2007, desembarcaram em solo brasileiro para apresentação em dois festivais. O quarteto, que traz Dave Crider (guitarra), Diana Young-Blanchar (vocal) Mikey Funster (bateria) e Scott Greene (baixo), mostrou o seu Hard Soul, como caracterizam sua música influenciada por blues, soul e funk, e angariou novos fãs nesta passagem pelo País.

    Foto:Adreana Oliveira
    The DTs, que geralmente não gosta de tocar em festivais, abriu uma exceção para o Brasil, e tocaram no Goiânia Noise
    Eles participaram de uma entrevista coletiva após o show do Goiânia Noise. Na ocasião, a vocalista Diana admitiu que geralmente eles não gostam de tocar em festivais, mas abriram uma exceção para o Brasil, porque acreditaram nos projetos. Não é raro vermos brasileiros vangloriando a cena americana e seus megafestivais itinerantes, mas, para os músicos que vivem lá fora do mainstream, o quadro pode ser visto de outra forma. “Já não é mais sobre música, virou um negócio o qual não interessa aos fãs de música e sim à indústria”, comenta Diana.

    O quarteto pareceu maravilhado com a receptividade brasileira. Apenas Dave conhecia o País porque havia tocado aqui em uma outra banda, a Watts. “Apesar do caos aéreo a viagem compensou”, brincou. Eles tomaram muito chá de cadeira nos aeroportos para chegar aqui.

    Comparação

    Durante o show, Diana canta alto e claro, seu vocal é freqüentemente comparado ao de Janis Joplin. “Temos muito do som dos anos 70 no que fazemos hoje ao nosso estilo”, explica. Em “Nicen’...” ela canta “Move Over”, de Janis, entre os outros nove covers escolhidos para o disco. Segundo Dave, foi uma forma de homenagear mestres do soul e do blues, como Willie Williamson (“Crazy ’Bout You Baby”), John Fogerty (“Pagan Baby”) e Sykes (“Driving Wheel”). A veia roqueira do disco também foi possibilitada pela produção de Jack Endino.

    Durante um show do MQN, que antecedeu no Noise, o vocalista Fabrício Nobre recomendou que o público não arredasse o pé do local porque estava por vir “a melhor banda barata do mundo”. Quando o assunto é música, quando o assunto é rock, seja ele clássico ou não, nem sempre aqueles que têm mais visibilidade são os melhores. O quarteto do Noroeste dos Estados Unidos tem muito da sua força em Dave Crider, considerado uma lenda do rock independente mundial no comando de bandas como a já citada Watts e Mono Men. À frente do selo Estrus Records, Crider gosta de cuidar pessoalmente dos negócios da banda, agenda as turnês, responde a e-mails e entrevistas, ou seja, é um adepto do “faça você mesmo”.

    The DTs parece estar no ponto para girar pelo mundo, carregando consigo suas influências que passam ainda por Etta James, The Wipers, Otis Redding, The Who, Ike & Tina Turner, AC/DC, Aerosmith, Grand Funk, Led Zeppelin, The Rolling Stones, The Faces, Bourbon, Kiss e Motorhead. Para saber mais: www.estrus.com/bands/dts.

    GIRO INDIE

    Se você é fanático pelo Iron Maiden, já deve ter assegurado seu ingresso para algum dos shows que a banda faz no Brasil em março. Porém, se o seu fanatismo merece mais, acesse o www.kissfm.com.br. A rádio paulista vai sortear três pessoas para cantar a música “Heaven Can Wait” com Bruce Dickinson no show de São Paulo.

    Foto:Divulgação
    Ecos Falsos toca no Goma hoje às 22h
    Hoje rola Ecos Falsos (SP) e Caffeine (MG) no Goma a partir das 22h. As bandas tocarão sons próprios. Os paulistas acabaram de lançar o primeiro CD, “Descartável Longa Vida”. Ingresso R$ 8.

    Se sua banda tem algum trabalho (CD ou EP) lançado em 2007, e em alguns casos também em 2006 e 2008, pode enviá-lo para concorrer ao Prêmio Dynamite de Música Independente. A premiação será em junho e a votação popular acontecerá entre os meses de abril e maio. Para enviar o material: Prêmio Dynamite de Música Independente — A/C Suzana Gnipper, curadora. Alameda Barros, 380/709, Higienópolis, São Paulo (SP). CEP 01.232-000.

     

    Foto:Adreana Oliveira
    Banda Soul Stone

     

    No dia 12 passado, em Uberlândia, conferimos uma apresentação ao vivo da banda Soul Stone, em noite que contou ainda com o cover do Dream Theater da também banda uberlandense Mandala. O público compareceu em peso e, como é de lei nos shows de metal, havia vários músicos na platéia. O som ajudou, estava limpo e o Soul Stone mostrou algumas de suas canções autorais, como “Snakepit”, que passeia entre o heavy metal e o hard rock, entre covers de bandas como Accept e Whitesnake (não, eles não tocaram “Is This Love”). Tirando alguns intervalos um pouco longos entre as músicas, o show até que estava bem-feito e o principal: os músicos pareciam estar se divertindo no palco e, no fim das contas, isso também contagiou a audiência.

    Foto:Adreana Oliveira
    Banda Mata Leão acaba de voltar de Goiânia

     

     

    O Humberto, baixista da banda uberlandense Mata Leão, traz novidades. Eles acabaram de voltar de Goiânia, onde gravaram três faixas para o próximo disco. Produzidas por Gustavo Vasquez, baixista do MQN, os primeiros singles dessa nova fase do Mata Leão são “Fala, Matraca”, “Um Dia Infeliz” e “Perfil de Sonhador”. Eles já têm show agendado em Goiânia e em breve terão mais uma data aqui em Uberlândia. Ao que tudo indica, um site está para ser lançado.

     

     

    Foto:MANOEL SERAFIM
    Fadiga toca amanhã no Goma

    Amanhã, no Goma, rola uma invasão candanga. As bandas de hardcore de Brasília Dias de Um Futuro Esquecido, 3 Segundos Antes da Queda e Lesto! juntam-se às locais Fadiga e Dyf. O som deve começar a rolar por volta das 16h e o ingresso custa R$ 7. Ainda dá tempo de você se ligar no som das bandas, anota aí:

     

    www.myspace.com/diashardcore, www.myspace.com/lesto; www.myspace.com/3segundosantesdaqueda,
     www.myspace.com/fadiga e www.purevolume.com/_dyf.

     

    SE-PUL-TURA!

     
    17-01-2008


    Se-pul-tura!



    * Adreana Oliveira

    Há alguns dias tive um justificável momento descontrole. Tentava dormir enquanto os vizinhos dos dois andares acima do meu insistiam em sapatear sobre meu teto e conversar aos berros do banheiro para a cozinha, às 22h23. Parece que o prédio tem uma tolerância ao barulho até às 23h. Resolvi me aproveitar disso. Puxei as caixas de som para a janela e coloquei para rolar o “Roots”, do Sepultura. Eu tinha me esquecido do quanto esse disco é bom de ser ouvido no volume máximo. A chateação até passou.

    Quando se fala sobre Sepultura, não importa em que roda você esteja, sempre tem alguém que diz “O Sepultura acabou depois que o Max saiu”, e, agora, mais constante, “Sem o Igor não é mais o Sepultura”. Esse tipo de pensamento é questionável. É preciso lembrar que quem leva o Sepultura nas costas hoje é quem quer estar na banda, ou seja, Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr (baixo), Derrick Green (vocal) e Jean Dolabella (bateria). Esses músicos não estão na banda por acaso.

    O trash metal que o grupo fazia em 1983 com o “Bestial Devastation” (Cogumelo Records, dividido com o Overdose) mudou muito nesses 25 anos e não tinha como ser diferente. Daí a falar que “Dante XXI” é ruim é meio preguiçoso.
    Os irmãos Cavalera Max e Igor, agora Iggor, serão para sempre parte disso, porque o trabalho que fizeram não será apagado, são responsáveis por tornar o Sepultura a banda brasileira de rock mais respeitada e conhecida do mundo e, não importa no que estejam envolvidos, o Sepultura será sempre assunto deles também.

    Essas mudanças de formação deram frutos como o Soufly, antes, o Nailbomb e outros projetos de Max. Creio que a carreira de Iggor Cavalera como DJ será breve. Afinal, ele é um dos melhores bateristas do mundo e vai perceber, cedo ou tarde, que a sua batida no drumkit será sempre melhor do que qualquer outro beat que ele crie em suas performances. Se “the Cavalera´s brothers” planejam algo juntos, ótimo, quem ganha com isso é o ouvinte. Se voltarão a trabalhar com o Sepultura para relembrar os velhos tempos ou gravar algo novo, bom também.

    Enquanto isso, resta-nos respeitar o que o Sepultura vem fazendo através dos tempos, porque este é um caso em que a criatura torna-se maior que seu criador e deve ser maior que o ego de qualquer um de seus integrantes. Está para nascer uma banda de rock que representará o Brasil no rock mundial como o Sepultura faz.

    A banda é o que é: Sepultura, do Brasil. Discorde quem nunca se arrepiou ou sentiu orgulho deste País ao ver ou ouvir, seja ao vivo ou por meio de alguma mídia, milhares de pessoas ao redor do mundo gritando “Se-pul-tura, Se-pul-tura, Se-pul-tura...”.

    1월 12일

    ECOS FALSOS

    12-01-2008


    Ecos Falsos mostra versatilidade


    No circuito independente de música, um hit só não faz verão. Para ser notado é preciso ter um setlist convincente ou a banda não circula. “Descartável Longa Vida” (Monstro Discos, R$ 15), primeiro CD do Ecos Falsos, chega com sons que colocaram os paulistas na escalação de festivais e casas de show do underground nacional. Felipe Daros, Gustavo Martins, Daniel Akashi revezam-se nos vocais, cordas e qualquer outro instrumento que possa aparecer. Davi sua a camisa na bateria e faz as fotos da capa e do encarte desse disco produzido por eles e Clayton Martin. Músicas como “Réveillon”,

    “A Revolta da Musa”, “Sobre Ser Sentimental” e “Findo Milênio” ganharam suas versões definitivas — embaladas em um encarte que traz um robô batizado de Stuart, criação de Gil Tókio — após serem executadas em pouco mais de uma centena de apresentações.

    A sonoridade moderna e rústica, letras sarcásticas e inteligentes e um marketing impecável deram ao Ecos Falsos admiradores que vão de Tom Zé à “chic” Glória Kalil. Será que é possível controlar o ego quando tem gente demais para afagá-lo? “Não sei se fomos elogiados o suficiente para saber. No meu ego ainda cabem alguns elogios! Enquanto o rock for uma forma de expressão que me e nos satisfaça, estou nessa”, diz o vocalista Gustavo.

    O flerte com Tom Zé vem desde 2005, quando lançaram o EP “A Última Palavra em Fashion”. Fã declarado dos paulistas, o ícone da música brasileira é o convidado da faixa de abertura de “Descartável Longa Vida”, “A Revolta da Musa”, e tinha que ser um “rockão” rasgado. “Isso Me Cansa” ganhou mais guitarras com Sérgio Serra (Ultraje a Rigor) e o grupo fez uma baladinha, “Dois a Zero”, na qual os vocais são divididos entre Dan Akashi e Fernanda Takai (Pato Fu). Thiago Rodrigues fez o baixo de “Réveillon”.

    Ao contrário do que muitos fazem por aí, buscam grandes nomes para tentar alavancar a venda de discos e pagam caro por isso, no caso do Ecos Falsos foi na camaradagem. “Foi na boa vontade, na amizade. Ninguém cobrou nada e se tivessem cobrado, nem sei se teríamos como fazer”, conta Felipe. O primeiro contato com Fernanda Takai foi feito por e-mail e, ao ouvir a música, há de se concordar que caiu como uma luva para ela. Entre um rock e outro tem até espaço para um western, “Eu Nunca Ganho”, e para o “Bolero Matador”. Como faixa bônus tem o hardcore “Speed Porco” e o instrumental de “Dois a Zero”. As músicas mais poderosas do disco são “Sobre Ser Sentimental”, “Nada Não” e “Réveillon”.

    Reengenharia pessoal

    No processo de gravação de “Descartável Longa Vida”, muitas músicas mudaram de forma. Felipe conta que “Animada” sofreu muitas mutações. “Aumentou, diminuiu, ficou mais rápida...”, comenta o músico. Entre as mais complicadas, “Dois a Zero”. “A melodia de voz desta música é complicadíssima. Foi definido que o Daniel ia gravá-la no estúdio, porque ele era o único que estava conseguindo”, explica.

    Porém a faixa é a que Felipe mais gostou de gravar. Para Gustavo, adaptar as músicas do estúdio para os shows é sempre mais difícil. “Os arranjos tinham sido feitos para três guitarras, e quase todas têm mais faixas de guitarra que isso, além de teclados e efeitos. Por isso não tocamos tanto ‘Dois a Zero’, apesar de já experimentarmos diferentes formas ao vivo”.

    Quando apareceram pela primeira vez na Novo Som o Ecos Falsos tinha cinco objetivos iniciais e concretizou todos: esgotou a tiragem do EP, tocou em festivais em várias regiões do País, divulgou-se de tudo quanto é jeito e gravou o CD. O quinto objetivo era “partir pras cabeças”. Felipe traduz a expressão como outro nível de divulgação do trabalho e o próximo passo pode ser mais ousado. “Não precisamos mais pensar em tocar em todas as regiões do Brasil.

    Agora podemos pensar no que foi ruim, no que foi legal e dar uma afinada na sintonia”, explica. Para Gustavo, esse era apenas um resumo das ambições da banda, que são sempre grandes. “Faz referência também à possibilidade que víamos de bandas do nosso nicho se tornarem realmente conhecidas e reconhecidas. Nesse sentido nossa indicação para o VMB, o programa Turnê Independente e Móveis Coloniais e Vanguart no especial da Globo mostram que tínhamos razão.”

    O lançamento do disco pela Monstro era algo almejado desde 2004. “Eles têm sido ótimos parceiros. Desde que conheci o esquema Monstro quis fazer parte dele”, explica Felipe. Gustavo diz que em 2008 vai ser importante para saber do real espaço que o mercado independente pode ocupar, já que houve um edital de R$ 2,5 milhões da Petrobras para festivais. “Para ser sincero, eu não gosto muito da idéia de um mercado sustentado por dinheiro de renúncia fiscal, acho que se formos no caminho do cinema, a tendência é existir um grupo pequeno dos que têm acesso ao dinheiro e todo mundo gira em torno disso, mas pode ser que não, vamos esperar para ver.”

    Além da música, cada um dos Ecos Falsos tem outro trabalho, mas a possibilidade de largar a música de lado é praticamente inexistente. “Rock and roll forever, and ever and ever... para mim não tem volta. Gosto muito do meu trabalho, mas está em segundo lugar na lista de prioridades”, comenta. E ele deixa um recado: “Nem adianta cansar dos nossos rostinhos”.

    Performances estão mais contidas

    É perceptível em qualquer conversa com qualquer um dos meninos do Ecos Falsos a paixão que eles têm pelo palco. O trio de cordas fica no troca-troca de instrumentos e vozes durante o show e já aconteceu de se confundir várias vezes quem ia fazer o que, mas hoje, admite Gustavo, eles são melhores músicos que há 3 anos, apesar de terem menos tempo para ensaiar. A amizade é palavra-chave nessa constante carreira do Ecos Falsos. A impressão que se tem é que se pode deixá-los presos na mesma sala por quarenta dias que, ao serem libertados, vão telefonar um para o outro para comentar sobre algo que ficou fora de pauta na quarentena.

    Com ou sem álcool nas veias, eles costumam dar o sangue nos shows, mas a intensidade da entrega carnal tem diminuído. Felipe concorda que, há dois anos, as performances eram um pouco mais incendiárias. Não que esteja pior, mas ficou mais comedida. “Menos gente pulando da (e na) bateria, menos “bateção” de instrumento”, comenta Felipe. Essa mudança prima pela qualidade na execução do show, para que as pessoas possam ver uma boa apresentação. E se o equipamento do local ajudar e a sonoridade chegar perto do que o disco apresenta, ponto para eles.

    “Você deve se lembrar de um Festival Jambolada quando o Gustavo quase pulou de um P.A., né?”, pergunta Felipe. Segundo eles, a culpa foi de uma aguardente cujo nome não vamos divulgar para não dar mau exemplo às criancinhas. Eles voltam a Uberlândia no dia 19, tocam no Goma com o Caffeine e a expectativa é boa. “Fomos bem recebidos da outra vez. Estou muito curioso para conhecer esse novo espaço.” Gustavo só tem uma preocupação para esta viagem: a febre amarela. Se tudo correr bem, eles devem conseguir se vacinar antes de aparecer por aqui. Para saber mais: www.ecosfalsos.com.br. Ouça três músicas do disco e veja vídeos no Correio Media Center, do www.correiodeuberlandia.com.br e veja o especial Ecos Falsos no “Clipe da Gente”, no Canal 15, de hoje à sexta-feira (ainda com a bateção de instrumentos e os pulos na e da bateria).

    Giro Indie

    Amanhã, no Goma, mais um domingo de heavy metal e progressivo. As bandas que se apresentam a partir das 18h são Mandala, com Dream Theater Cover, e Soul Stone, com sons próprios e covers. A banda Mandala traz Bambi Mazzini (bateria), Gustavo Dübbern “Pica Pau” (guitarra), Rafael “Paçoca” (baixo), Carlos Magno (teclado) e William (vocal). Já a Soul Stone, que está na ativa desde 2002, traz Lucas Rezende (vocal, teclado e violão), Marcelo Guarato (guitarra e vocal), Zafa Gonzaga (guitarra), Nilson Junior (baixo e vocal) e Tati Ribeiro (bateria).

    O MindFlow (SP) manda notícias de Los Angeles, onde grava as vozes e guitarras do novo álbum no estúdio, “The Mix Room”. Na produção está o americano Ben Grosse, que já trabalhou com Marilyn Mason, Disturbed, Breaking Benjamin, 30 Seconds to Mars e Slipknot. O disco deve sair em maio.


    Dia 26, no London, Edu Falaschi (Angra/Almah), Everson (U2 Cover) (foto) e Gleison Túlio farão um tributo a clássicos do rock e do metal em uma noite que promete ser das boas. Eles serão acompanhados pela banda TomaHawk.

    Acaba de ser divulgada a data do Grito Rock Uberlândia: de 31/1 a 3/2. Shows confirmados: dia 31, o Montage, (CE) e dia 2, Vanguart (MT) e Monno (MG). Mais informações em breve.

    Foto: Divulgação

    Ecos Falsos Sonoridade moderna e rústica, letras inteligentes e marketing impecável

    1월 6일

    THE BATTLES

    05-01-2008


    A Música orgânica do The Battles



    Pela primeira vez no Brasil, na edição 2007 do Goiânia Noise, a banda novaiorquina The Battles, formada por John Stanier (bateria), Ian Williams (guitarra e teclado), Dave Konopka (guitarra e baixo) e Tyondai Braxton (voz, teclado e guitarra), mostrou o som que vem deixando muita gente com um ponto de interrogação na testa: o que é isso?

    “Não ousaria definir um estilo para a gente, mudamos praticamente toda semana”, disse Ian durante uma amigável entrevista concedida em Goiânia. Colocá-los na prateleira de rock experimental seria pouco. Com a harmonia que eles conseguem com guitarras, uma bateria que parece rudimentar e MACs, the Battles é um caso no qual a diferença faz a diferença. Algo que sai da mente de um ex-baterista do Helmet e Tomahawk (John), um ex-baixista do Lynx (Dave), um parceiro de Don Caballero (Ian) e o filho de um jazzista experimental (Tyondai) tinha que ser, no mínimo, curioso.

    Ian compara o processo de composição deles, às vezes, com sexo. “É um método do tipo ‘aqui, vai, não, ainda não, está quase, não, vai, isso!’”, brinca ele levando todos a uma gargalhada. “O que aconteceu com a gente foi bem orgânico, não rolou aquele lance de se juntar e formar uma banda, somos como melhores amigos que por acaso resolveram tocar”, comenta John. Tocar no Brasil foi uma experiência maravilhosa. “Foram shows muito especiais, fantásticos”, disse Dave.

    Foto: Divulgação

    Para o The Battles, a relação com a música é de diversão que se desenvolve com o tempo, mas que dá muito trabalho fazer

    Reflexos distintos de talentos distintos

    Quando questionados sobre estarem à frente de seu tempo, os integrantes do The Battles entreolham-se e é John quem comenta. “É meio estranho esse lance, pode até ser diferente, algo meio crossover, é apenas uma experiência bacana e estou muito feliz por ser parte disso”. Para um ex-Helmet, banda que está na mente e no coração de músicos espalhados por todo o planeta, soar moderno demais nunca foi uma obsessão. Para Tyondai, a expressão “uma banda à frente do seu tempo” é bem confusa. “No nosso caso é mais como se divertir e fazer a sua música, que vai se desenvolver com o tempo, mas que dá muito trabalho fazer, não é brincadeira.”

    A agenda de janeiro do The Battles está cheia. Eles tocam em festivais como o Big Day Out, em Auckland e Gols Coast, seguem para a Austrália onde farão uma série de shows em cidades como Sydney, Brisbane, Melbourne, Adelaide e Tasmânia. O primeiro CD do grupo, “Mirrored”, foi lançado no ano passado e já é um sucesso entre as páginas de música do My Space. Quase todas as músicas postadas já foram tocadas mais de 100 mil vezes; “Atlas” ultrapassou os 500 mil “plays”. Se você quer saber qual é a dos caras acesse www.bttls.com ou www.myspace.com/battlestheband.

    GIRO INDIE

    Começou ontem e segue até o dia 31 de janeiro a 14º edição do festival Humaitá Pra Peixe (HPP). Dessa vez, o festival ocupará diversos espaços do Rio de Janeiro. São 28 dias de festival, com apresentação de 27 bandas, quatro debates e quatro workshops, além de nove convidados que participam do talk-show. Para ficar por dentro de toda a programação: www.humaitaprapeixe.com.br.

    Paralamas do Sucesso e Titãs seguem com a turnê 25 Anos de Rock. Dia 26 eles se apresentam no Rio de Janeiro. O tour já passou por Sorocaba, Belo Horizonte, Salvador e São Paulo. Não há dúvida de que, caso seja agendada uma data para Uberlândia, será de casa cheia, digna do Sabiazinho.

    A partir do dia 1o de fevereiro, os fãs dos Beatles que visitarem Liverpool terão uma opção à altura dos quatro fabulosos para se hospedar. Nesta data será inaugurado o primeiro hotel temático com a história do quarteto, batizado de A Hard’s Day Night.

    Hoje é dia de “Radar Rock” na Rádio Universitária FM (107,5), às 14h. Produzido e apresentado por Robisson Sete (Juanna Barbera), o programa traz o especial “Bandas de Uberlândia e do Triângulo Mineiro”. Quem já aboliu o rádio e adotou definitivamente a internet pode conferir pelo portal www.universitariafm.ufu.br. Uma das atrações do programa de hoje é a banda Caffeine, (foto) que no dia 19 de janeiro, no Goma, toca com o Ecos Falsos (SP). Os uberlandenses mostram suas músicas autorais. Os paulistas, chegam com o recém-lançado “Descartável Longa Vida” (Monstro Discos).

    Foto: Adreana Oliveira

    Banda Caffeine




    12월 29일

    Retrospectiva Novo Som 2007

     
    29-12-2007

    O rock comprova sua força e poder


    Enquanto nos preparamos para o quarto ano da Novo Som, você fica com a retrospectiva de 2007. Não foi possível estar em todos os lugares, ouvir todos os discos, ver todos os shows... bem que tentei! Desejo a vocês a melhor trilha sonora em 2008!

    Foto: Adreana Oliveira

    Dado Villa-Lobos


    JANEIRO
    O ano começou com o Janicedoll, de Brasília, um dos poucos a se destacar com frases em inglês e o visual hype que fica entre os grupos nova-iorquinos e ingleses. O Monno (MG) conseguiu espaço fora do Estado. O Ludovic (SP) veio com tudo. “Idioma Morto” foi um dos melhores discos de 2007. O Superguidis chegou como uma promessa e abocanhou duas edições da Novo Som em 2007. No Giro Indie, destaque para o minitour do Attero, de Uberlândia, que foi na raça a três shows com U-Ganga em Ipatinga, BH e Contagem. O Firebug (SP) levou seu rocksteady para 27 países europeus. Uberlândia recebeu a Venenosa FM, que só toca rock. Vimos os projetos Sábado é Rock, Rockmetal Fest, Mazzini Estúdio Rock, Crossover and Metal Fest, Cerradão Hardcore e Udi Rock Scene darem seus primeiros passos. Recebemos Dado Villa-Lobos, o ex-Legião Urbana que veio e voltou em 2007 com duas apresentações memoráveis no London. O Rage Against the Machine anunciou seu retorno.

    Foto: Adreana Oliveira

    Vanguart

    FEVEREIRO
    A banda uberlandense Antauen apresentou seu pop rock e lançou seu primeiro videoclipe. O Pública (RS) não usou meias palavras e segue firme no propósito do rock como única alternativa. De Jaú (SP), o Mandrake rodou bastante o interior paulista. No Giro Indie, destaque para o Grito Rock integrado, que rolou em 20 cidades, inclusive em Uberlândia, em 14 estados. A versão cuiabana avançou em relação ao ano anterior. Vanguart (MT), Zefirina Bomba (PB), Daniel Belleza & Os Corações em Fúria (SP), Ecos Falsos (SP), Faichecleres (PR) e Rock Rocket (SP) fizeram uma turnê de ônibus pelo Nordeste.

    MARÇO
    Abrimos o mês com o Boddah Diciro (TO), som que tem pegadas do grunge. O xlinha de frentex foi o representante hardcore de Brasília. Os Patrões, de Jaú, chegaram com disco e shows muito elogiados. A dupla Lucy e the Popsonics trouxe seu rock pop playmobil para as massas. Por aqui conheceram o Minus One, banda uberlandense de metal. O festival Fora do Eixo chegou a São Paulo. O Charlie Brown Jr lotou o Acrópole mais uma vez. O Revival consolidou-se como uma das noites mais concorridas do London. Chad Channing, que já foi um Nirvana, lançou um EP que não chegou a ter uma boa repercussão.

    Foto: Adreana Oliveira

    Mindflow

    ABRIL
    A banda paulista Ritma estreou com um CD de rock inspirado. Os uberlandenses do Balacabala trouxeram música para ouvir, sentir e compartilhar. O mês foi bom de shows gringos no Brasil. O Aerosmith veio com seu tour “Route of All Evil” e trouxe nada menos que Velvet Revolver junto. As duas bandas foram, simplesmente, irretocáveis. Amy Lee e Evanescence fizeram shows muito profissionais. O guitarrista Tom Morello no projeto The Nightwatchman lançou “One Man Revolution”. Em Porto Alegre, surgiu a banda que quer o título de melhor cover para The Cure do Brasil: Roberto Silva e os Curandeiros. Conseguimos uma entrevista exclusiva com Ian Anderson, do Jethro Tull.

    Foto: Adreana Oliveira

    Kings Of Leon


    MAIO
    Antes de sair de férias deixei para vocês um aperitivo do Forgotten Boys (SP) em “Quando o rock corre pelas veias”. Trouxe ainda o mundo encantado do destrutivo das guitarras do Bang Bang Babies (GO). Espaço para os mineiros do Strike e para os paulistas do Aquelezuns.

    JUNHO
    De volta das férias, a Novo Som trouxe sua primeira cobertura de um megafestival europeu, o South Side, que rolou na Alemanha e teve como headliners Pearl Jam, Kings of Leon, Queens Of The Stone Age, Sonic Youth, Placebo, Marilyn Manson, Incubus. Chuva, ventania, sol, lama e rock foram o tempero deste review.

    JULHO
    O Ludov mostrou o valor das pequenas coisas em mais um bom disco. O Giro Indie ficou ligado no Live Earht pela internet, no dia do lançamento de “Zeitgeist”, dos Pumpkins. Uberlândia recebeu Lúcio Ribeiro na Pop Justice, que trouxe também à cidade João Gordo (RDP). O London abriu as portas para o circuito independente no Dia Mundial do Rock no lançamento do Jambolada, com MQN (GO), Porcas Borboletas (MG) e Autoramas (RJ). Foi criada a Associação dos Músicos do Cerrado. O Vanguart (MT) lançou o primeiro disco via revista Outra coisa. O Gram (SP) anunciou seu fim.

    Foto: Adreana Oliveira

    Almah

    Foto: Adreana Oliveira

    Paul Dianno


    AGOSTO
    Em agosto começamos com a paixão dos uberlandenses do 8 Bit por jogos. Sobrou sonoridade também para os paulistas do ästerdon, pela segundo vez na coluna. O Beastie Boys mostrou que sobrevive com ou sem rap e, do Recife, trouxemos o Vamoz!. O Raimundos anunciou seu retorno, de novo. O Mindflow (SP) fez mais uma turnê pelos EUA. A terceira edição do Triângulo Music sacudiu o Parque do Sabiá.

    SETEMBRO
    Começamos o mês com os capixabas do Mukeka di Rato destruindo tudo! Os paulistas “japinhas” do Slot deixaram claro que música tem que ser diversão. Conhecemos um pouco de pop latino por meio da coletânea “Porque Este Océano Es El Tuyo, Es El Mio”. O Calango, em Cuiabá, mostrou mais profissionalismo e em Uberlândia, a 3a edição do Jambolada rendeu elogios. Infelizmente, tivemos mais um Rock Contra Fome cheio de problemas. É de se tirar o chapéu para o Mindflow, que tocou em uma situação difícil. Tivemos um supershow do Almah, no London. Estreou em Uberlândia o canal de música pop Vh1! A banda uberlandense Fuzilis começou a mostrar novos trabalhos no www.myspace.com/fuzilis. A banda mineira Crust Division embarcou para uma turnê na Europa. A passagem do Matanza (RJ) por Uberlândia foi devastadora! A banda paraense Madame Saatan lançou seu primeiro CD.

    OUTUBRO
    Começamos com a ousadia do Maldita (RJ). Pitty (BA) trouxe seu desconcerto ao vivo em CD e DVD. Mês do ótimo retorno do Udora (MG), cantando em português. Trouxemos o primeiro CD de Los Porongas, destaque acreano. Ambos tocaram na cidade, no Conexão. O Tributo ao Sarcófago fez os primeiros shows fora do Brasil. Eddie Vedder (Pearl Jam), lançou seu primeiro CD-solo. Radiohead lança “In Rainbows”. Steve Hewitt deixa o Placebo. A banda uberlandense Darma Khaos foi destaque no programa “Upload”, da TV Transamérica de Curitiba. Entre as conquistas deste ano dos meninos, show no Hangar 110, em São Paulo.

    NOVEMBRO
    Direto de Seattle, a banda Danielli mostrou um pouco de como é a vida de roqueiros trabalhadores nos EUA e, claro, seu som pop conciso e delicado. O Cabaret (RJ) veio avassalador com seu disco de estréia. O Superguidis voltou, com mérito, com “A Amarga Sinfonia do Superstar”. O Tim Festival trouxe The Killers, Artic Monkeys, Björk e Juliette & The Licks, entre outros, para apresentações memoráveis. Paul Di’Anno toca em Uberlândia e simplesmente arrasa, com uma banda de músicos daqui. Lançado oficialmente o DVD da banda uberlandense Ana Atômica.

    DEZEMBRO

    Foto: Adreana Oliveira

    Daniel Belleza & os Corações em fúria


    A banda uberlandense Fadiga fala do primeiro disco. O Macakongs 2099 (DF) chegou com “Tropicanalia” e, na mesma semana, fez um grande show no Goma. Para encerrar o ano, trouxemos o Terminal Guadalupe (PR), exemplo para quem quer ter um futuro no rock nacional. No Giro Indie, destaque para o 13o Goiânia Noise. Em Uberlândia, a inauguração do Goma abre novas perspectivas. O show com Móveis Coloniais foi um marco. A casa já recebeu, além de talentos locais, o Macakongs 2099, o Forgotten Boys e o festival BPM. O Arte na Praça encerrou o ano com Zefirina Bomba (PB), Caffeine e U-ganga.

    Foto: Adreana Oliveira

    Forgotten Boys

    Tenho alguns presentinhos para vocês: um CD do Ritma, um CD novo do Nightwish, um CD do Revoltz (MT), um CD de Lucy & The Popsonics. Para participar, mande um e-mail e diga a qual deles quer concorrer.

    Foto: Adreana Oliveira

    Maldita

    12월 22일

    TERMINAL GUADALUPE + GOMA + MCR +

     
    22-12-2007


    Boa música para hoje e sempre



    Foto: Rafael Dabu/Divulgação

    O quinteto de Curitiba tem compositores de primeira linha

    Se existe uma fórmula para o sucesso, eu não sei, mas paciência, perseverança e dedicação devem fazer parte do dia-a-dia daqueles que querem fazer a diferença na música ou em qualquer outro ramo. Entre as dezenas de lançamentos do mercado independente de 2007, “A Marcha dos Invisíveis” (R$ 13), do curitibano Terminal Guadalupe, destaca-se. Essa história começou em 2003, fruto do curta-metragem “Burocracia Romântica”, para o qual Dary Jr, hoje vocalista e principal compositor do Terminal Guadalupe, fez a trilha sonora com a banda Poléxia. “Hoje somos uma banda madura disposta a se esforçar cada vez mais para adquirir uma identidade”, comenta o músico.

    Natural de Corumbá (MS), Dary mudou-se há 10 anos para Curitiba por uma proposta de trabalho. Jornalista investigativo, usa seu feeling para compor músicas que retratam o cotidiano de cidadãos comuns que encontra por ruas, botecos, terminais de ônibus e que tantas vezes passam desapercebidos pela maioria dos olhares... os invisíveis. “Quando cheguei havia desistido da possibilidade de fazer música, já me via apenas como um cara casadão, pai de família.”

    A família vai bem, obrigado, mas a perspectiva mudou após assistir a alguns shows na capital paranaense e conhecer o guitarrista Alan Yokohama. Em 2004 a banda consolidou-se com eles mais o baterista Fabiano Ferronato e o baixista Rubens K. O guitarrista Lucas Borba, o caçula do grupo, foi incorporado em “A Marcha dos Invisíveis”. Esse álbum veio na seqüência de dois discos de inéditas e um EP virtual e, para Dary, o que mais pesou para que o disco tivesse uma repercussão tão boa foi gravá-lo no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, “um playground para qualquer músico”, sob a direção de Tomás Magno.

    Outro diferencial é a maturidade, que só chega após um longo processo de erros e acertos. “Além do aparato técnico que a Toca oferece tivemos a experiência do Tomás e já vislumbro esta parceria para o futuro, não consigo enxergar um outro produtor para um disco nosso”, diz Dary.

    O videoclipe de “Pernambuco Chorou”, carro-chefe de “A Marcha dos Invisíveis”, é de uma riqueza rara entre as produções atuais. Bom roteiro, boa direção, uma fotografia excelente e um ótimo protagonista. “O Spencer [diretor] condensou em três minutos e meio uma obra de arte”, elogia Dary. O vídeo é artisticamente comparável a “A Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)”, de O Rappa, dirigido por Kátia Lund.

    Músicos querem construir uma carreira sólida

    O Terminal Guadalupe não quer ser a grande sensação do momento, e, sim, fazer um trabalho que signifique algo hoje e que ainda faça barulho por muitos anos. “Lembro quando perguntavam para o Renato Russo [Legião Urbana] sobre o fenômeno do RPM. Ele respondia que estava preocupado em fazer uma obra consistente.” E deu no que deu. Dary é um estudioso do rock nacional, gosta de bandas que ficam, e para incentivar aquelas que têm este perfil, o TG produz em Curitiba o TG Apresenta, que já levou à cidade Violins (GO) e Macaco Bong (MT). “É o nosso jeito de contribuir com esta cena de grupos que têm autenticidade, força autoral”, comenta. O projeto TG Apresenta pode virar um DVD ao vivo que será lançado no fim de 2008.

    No Terminal Guadalupe, Dary Jr. sacia um pouco de sua sede jornalística, já que está afastado das redações. “É preciso um mínimo de sensibilidade social, observação e paciência para escrever e falar sobre essas pessoas de camadas sociais que muitas vezes são ignoradas”, explica. É neste dia-a-dia do outro que ele tem sua matéria-prima para músicas como “Pernambuco chorou”, “Cachorro magro” e “Praça de alimentação”. São canções com um alto teor de crítica social, não confunda isso com algo chato ou panfletário, escritas de forma clara, inteligente e com uma sonoridade atual que nada deixa a desejar aos monstros do rock nacional. O TG deu um passo à frente e só não vê quem não quer. Para Dary, essa realidade nacional poderia ficar melhor se cantada nas vozes de músicos mais jovens. “Hoje está tudo muito maquiado, um rock cosmético. Eu já passei dos 30, não era algo que minha geração deveria fazer sozinha”, comenta. Para Dary, o cenário atual está saturado de bandas apáticas, sem muita conexão com a realidade.

    Nem tudo está perdido. “Fico feliz quando a mídia abre espaço para bandas que tratam de temas mais áridos e delicados, como a gente faz, como o Violins faz”, diz. Já que o assunto é jornalismo musical, Dary acredita que a mídia está fechada e presa aos atrativos cosméticos. O fato de haver um grande hype com bandas gringas dos lugares mais estranhos e distantes da gente também preocupa. “Me mostrem um letrista do nível de Beto Cupertino (Violins) e um guitarrista como Bruno Kayapi (Macaco Bong) no cenário internacional e conversamos”, dispara. “Tem música para tudo: para sexo, para tomar cerveja, para se reunir com os amigos, mas no Brasil também existe banda que faz música que leva à reflexão”, dispara. Mas não pense que os shows do TG viram um comício, nada disso. O público se diverte, canta e se sente parte do que está no palco.

    Trabalho

    No Terminal Guadalupe não tem músico do tipo que senta e espera que uma oportunidade caia do céu, por pura providência divina. “Você tem que querer, tem que se virar, se ajudar porque banda dá trabalho, no começo você paga para tocar e para essa realidade mudar é preciso muito trabalho”. O site do grupo tem todas as informações necessárias, é clean e de fácil navegação. Enquanto muitos reclamam da pirataria, eles agregam valor aos seus produtos e os lançam em todos os formatos possíveis. “A Marcha dos Invisíveis” não foi lançado, ainda, em vinil. A tiragem de 100 peças do disco em pen drive, vendido a R$ 100, está esgotada. A edição dupla, com CD e DVD com o videoclipe e making of de “Pernambuco chorou”, também segue o mesmo caminho e será relançando apenas em SMD (um formato de CD mais barato) com uma faixa bônus. “Tem gente que gosta de coisas diferentes, essas pessoas também têm que ter opção de compra, da mesma forma que tem gente que prefere baixar uma ou outra música. Iniciativas como a da Trama Virtual e o download premiado ajudam a banda, porque é livre para o usuário e paga por um patrocinador”, cita. O Terminal Guadalupe faz a última apresentação do ano hoje no MPB Bar, em Maringá, e são mais do que uma promessa para 2008. Para saber mais: www.tg.mus.br.

    GIRO INDIE

    Fim de semana agitado na city. No domingo que passou, o 1o Festival Cultura em Peso de Uberlândia levou os fãs do hardcore e do metal para o Goma. Apesar do atraso e de alguns problemas no som, Fúria, FMI, Attero, Metal Carnage e o Scourge, de Uberlândia, não decepcionaram. Não tem como explicar a apresentação do Macakongs 2099, a atual formação deu mais gás ao grupo, que parece finalmente ter encontrado sua voz definitiva em Traidô. A galera do Attero estava na correria, já que Guilherme (guitarra) e Serginho (bateria) tinham show com o U-Ganga em Uberaba na mesma noite. Infelizmente, esse show não acabou nada bem. Furtaram na porta da casa do Manu, vocalista do U-Ganga, três guitarras, um pedal e oito pratos de bateria. Um prejuízo com o qual ninguém contava. Se algum músico receber alguma oferta de equipamento sob condições suspeitas já sabe o que fazer.

    Na quinta-feira passada, o London Pub fez a tradicional festa dos músicos. Galera da Ana Atômica, Nanji, Cameloucos, Mata Leão, Maria Fumaça, Dogma, Washington Muzzi, entre outros, marcaram presença na noite que foi puro entretenimento. O Mata Leão, um pouco mais tarde, no Goma, fez sua primeira apresentação depois de muito tempo afastado dos palcos. A banda prepara um novo CD, com uma nova proposta, que deve sair em 2008.

    Será? Entre as bandas que podem confirmar presença no Brasil em 2008 está o My Chemical Romance. Em janeiro, Uberlândia recebe mais uma vez o Ecos Falsos, aguarde mais informações.

    Na próxima semana, na Novo Som, uma retrospectiva indie especialmente para você e tenho alguns CDs para sortear. Fique ligado. Acesse também a coluna no site do CORREIO de Uberlândia, ouça as bandas que passam por aqui e faça parte da nossa comunidade no Orkut.


    Adreana Oliveira
    Editora