Já faz tempo que minha amiga Marinês Fernandes já não trabalha mais comigo. Porém um de seus “presentes” ainda faz parte da minha vida e, com certeza, da vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. Foi com ela que aprendi a navegar na internet, na era da discada ainda. Mas não é este o presente ao qual me refiro, e sim, o disco “Automatic for the People”, lançado pelo R.E.M. em 1992.
Essa banda americana começou a fazer barulho em 1980 e não parou mais. Até hoje lança discos que entram na lista dos melhores em qualquer lugar do planeta e tudo isso graças a um compositor fora de série chamado Michael Stipe. A base da banda conta com ele, Peter Buck (guitarra) e Mike Mills (baixo). O baterista que ficou mais tempo com o grupo, 17 anos, foi Bill Berry.
No Rock in Rio de 2001, eles foram os responsáveis por um dos shows mais memoráveis. Antes, durante a entrevista coletiva, ficou evidente o despreparo da maioria dos jornalistas para lidar com uma banda séria. E, acredite, eles não são do tipo que gostam de agradar quando sua inteligência é desafiada. Foram 10 minutos de coletiva. O show, cerca de duas horas de clássicos que sobrevivem a toda e qualquer nova onda que o show bizz assimile de tempos em tempos. Na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, o R.E.M. foi o monstro pelo qual todos queriam ser devorados.
De volta ao disco, em “Automatic for the People”, eles conseguiram reunir as angústias da geração dos anos 90 de uma forma como nenhum outro trabalho pode ser comparado. Este álbum vai além de expor tais sentimentos e dúvidas, mas o faz de um modo que transforma o disco em uma obra de arte. A abertura com “Drive” é acertada e dá o clima dos próximos minutos. A “tick tock, tick tock” perdido entre os versos da primeira música está presente nas outras 12 canções, sem propriamente ser citada.
Se as drogas e a conseqüência de seu uso são o tema de “Drive”, em “Everybody Hurts”, outro clássico deste disco, o estar sozinho ganha dimensões menos aterrorizantes e tenta, mesmo por meio de uma melodia das mais tristes do rock, deixar uma mensagem positiva “you´re not alone”. Por ironia do destino, acaba sendo a trilha daquelas noites solitárias intermináveis.
O R.E.M. também conta outras histórias. Fatos que fazem parte do inconsciente americano são retratados de forma quase poética em “Man on the Moon”. Uma verdadeira aula. E se você não está se divertindo, talvez esteja na hora de encontrar seu oceano e o “Automatic for the People” pode ser um bom companheiro para esta viagem.
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